É difícil segurar, não é? Quando você sabe de algo e ouve a pessoa ao lado falando asneiras. Ou quando percebe que seu interlocutor percebeu tudo errado, entendeu tudo errado. Parece um alien crescendo dentro de você, até rasgar suas entranhas e sair pela garganta como uma bala de bazuca. Opiniões, opiniões, opiniões… São tudo opiniões. Algumas embasadas, com firma registrada e reconhecida em três vias. Outras, recém nascidas. Outras desconhecem a razão, nasceram e se criaram de puro sangue e víscera. Mas todas baseadas nas verdades de cada um.
Criamos discussões para ouvir o eco de nós mesmos, não pelo que o outro tem a dizer. É quase um esporte: o objetivo é testar a argumentação até que sua opinião empurre a bola, o seu adversário e o resto do time rival para dentro do gol. Fim de jogo. Ou, quando as discussões são criadas, ficamos inquietos na cadeira até conseguir uma brecha para disparar “eu acho”s, “eu li”s, “eu estudei”s, “eu vi”s e entrar no jogo. Adoramos essa fogo cruzado de palavras, nossas armas e nossos escudos contra a ignorância alheia. Óh!
Por muito tempo, eu evitei entrar em discussões sem munição. Achismo, para mim, não valia. Só abria a boca quando minhas palavras estivessem cheias de verdade. E aos 20 e pouquinhos anos, eu não tinha muita verdade em mim. A vida mostra que somos seres insignificantes fora de nossos castelos de areia. E para não sucumbir, fui aprendendo a achar… aprendendo a descobrir sentido em poucos segundos sobre aquilo no qual eu nunca havia pensado… Afinal, não podia ficar fora do jogo, fora da conversa, fora do holofote em destaque no palco.
(mais…)



