Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Não pode 25/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã — Aline Moraes @ 12:34 AM
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Bater um pânico, às vezes, é normal. Imagem
Mas ter medo…
Aaah não, isso não pode.
Nunca

 

A primeira barata 24/01/2014

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 10:50 PM
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E já que o clima é de falar das desventuras no cafofo, preciso dividir o que aconteceu na noite do dia 2 de janeiro:

Acabei de matar a minha primeira barata. Enorme! Achei que fosse voadora. Do sofá, só vi a bichinha passando do quarto pela sala até o banheiro. Segundos de indecisão. Só queria fechar a porta e esquecer que ela estava aqui em casa.

Mas fui menos covarde (até porque, sem isso, eu não conseguiria dormir mais tarde), peguei a vassoura e fui atrás dela. Acuei a bicha no box e a matei com uma fúria tremenda. “Die, piece of shit!”, eu gritei, porque a batalha parecia não ter fim. Foi meio bizarro.

Me senti meio animalesca depois…

 

O nascimento do desleixo

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 10:45 PM
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Quem nunca… foi na casa de um vizinho ou conhecido, viu aquela zona, fios correndo soltos, coisas que funcionam pela metade, gambiarras mil, e pensou “credo, que pessoa desleixada!”????

O começo de 2014 me trouxe uma outra perspectiva sobre o nascimento do desleixo na vida de alguém, de uma casa toda. Eu não sou a pessoa mais organizada do mundo, mas meu limite é curto pra bagunça. Logo é ela ou eu. E tudo entra nos trinques em pouco tempo (pra ser bagunçado de novo… é, eu sei…). Mas bastou uma, duas, três coisas quebrarem em casa pra situação sair do controle.

Primeiro foi a geladeira. Desde que se mudou lá pra casa, ela tem problemas. Mas ficou insustentável quando ela, depois de um “conserto”, começou a congelar quase tudo dentro dela, do alface à garrafa d’água. Só se salvava a cerveja e o iogurte. Fiquei sem geladeira por um mês, mas com um congelador superpotente :/. O wifi também tava zuado, não funcionava no celular. Mas a coisa pegou quando o computador (que ainda reconhecia o sinal da internet) decidiu combater o workaholicismo e parar de funcionar a cada uma hora e meia de uso.

Viajei, esqueci desse problema caseiro que ficara pra depois, mas, quando voltei, bateu o desespero… Nada funcionava, precisaria fazer gastos não programados, fiquei puta com o cara que mexeu, mexeu e não deu um jeito na geladeira (“eu perdi uma caixa de morangos por culpa sua, seu…”). Marcavam para irem ver a bendita e o wifi e nada de o conserto aparecer. A coisa saiu tanto do eixo que, pra não enlouquecer, eu desencanei. Moveis foram mudados de lugar à força, a faxina não parecia mais necessária, a bagunça que se acumulava não incomodava nada perto daquele desarranjo todo da geladeira, da internet e do computador, itens essenciais no cafofo.

E foi então que me vi morando numa casa digna daquele “quem nunca…”. E me assustei. Entendi que o desleixo pode ser mais uma consequência do que uma opção.

 

Mary and Max – a lesson of acceptance 06/01/2014

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 1:30 AM
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“The reason I forgive you is because you are not perfect. You are imperfect and so am I. All humans are imperfect. When I was young, I wanted to be anybody, but me. Dr. Bernard Hazelhof said if I was in a desert island than I would have to get used to my own company. He said I would have to accept myself, my warts and all. And we don’t get to choose our warts. They are part of us and we have to live with them. We can, however, choose our friends. And I am glad I have chosen you. Dr Bernard also said that everyone’s lives are like a very long sidewalk. Some are well-paved; others, like mine, have cracks, banana skins and cigarette butts. Hopefully one day our sidewalks will meet and we can share a can of condensed milk.”

Max Jerry Horowitz, New York, sometime in 1980s… From the animated movie “Mary and Max”, absolutely worthwhile!

 

I’m more and more convinced that being honest and sincere to yourself might not lead you through the easier path. But to a true lasting one. And nothing can compare to that. May we always take honesty of mind and sincerity of spirit as measurements for our thoughts, feelings and actions.

 

This week’s lesson 05/01/2014

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 12:21 AM
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I was taught a lesson this week at work, and in life. As a journalist, a reporter, my task is to address to my best the problems of others. Somehow, I failed this week, twice. And I have failed before. But, this time, it got me deeper, I guess. I decided to share the lesson so you know about it, and so I won’t forget it:

“Be simple and heartfelt in all you do.

Consider this: ‘Take your brother’s need as the measure for your action, and solve the problems of the world. There is no other course.'”

What about integrating into your daily life what is asked to be considered? “Take your brother’s need as the measure for your action”. Don’t be overwhelmed by the task of “solving the problems of the world”. It really starts small, with the most basic needs, with right relationship, with you being honest and sincere to yourself, to what you think, say, want and do.

Take sometime to find out for yourself how can you help daily so that that major task is fulfilled, and make the changes needed to your approach to work, studies, friendships, citizenship.

There’s a beautiful and real message of hope out there. We are being helped from behind the scenes to make changes in the world we live in – and there’s no magic to it, there’s hard work. This week, the most useful words from the message to me are “be simple and heartfelt in all you do”. Let’s do that???

[[To know more about the message: http://www.share-international.org

 

Ano Novo 03/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano — Aline Moraes @ 10:52 AM
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Eu ia jogar os números do biscoito da sorte na Mega Sena da Virada.
Ele tinha uma mensagem muito especial, achei que poderia dar samba.
Mas acabei não jogando.
Depois que o resultado saiu, pensei em conferir se eu teria ganhado alguma coisa ou não.
“Só pra ver”. Ahan…
Mas não achei o papelzinho.
Ainda bem.
Primeira lição de 2014: algumas coisas merecem ser deixadas pra lá.
Não são importantes.
Então, deixe.

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Assim falou o juiz: “Reitoria intransigente” 10/10/2013

Filed under: Cotidiano,Mídia & Jornalismo — Aline Moraes @ 12:08 PM
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Em 2011, eu cobri a ocupação da Reitoria da USP como repórter do Jornal do Campus (jornal-laboratório feito pelos estudantes do 3o ano de Jornalismo da ECA-USP). Foi um massacre a ação da PM, não deixaram a imprensa entrar e, depois da passagem do Choque, a reitoria amanheceu totalmente destruída. Quem passou pela ocupação antes viu que não estava daquele jeito. Estudantes disseram que foram os próprios PMs que causaram os danos, depois tão altamente contabilizados e divulgados pela Reitoria, colocando os manifestantes, simplesmente, como “vândalos”. Sem necessariamente defender o recurso da “ocupação” como pressão política, o que eu quero com essa história é lembrar um passado não muito distante de repressão policial na USP e que deu merda.

Agora, os estudantes ocupam de novo, e por uma pauta principal de extrema relevância: eleições diretas para Reitor. Democracia nas Universidades. Na minha época, era a Suely Vilela. Rodas, o novo nome no poder, não foi nem o mais votado daquela listra tríplice de candidatos pré-selecionados, e mesmo assim o então governador José Serra escolheu uma figura que leva, nas costas, várias acusações de “apoiador da ditadura militar”. Pessoa non grata. Acho que a hashtag #ForaRodas é a mais usada há anos.

De novo, a postura da Reitoria é de não dialogar, chorar pro governador e querer chamar a Tropa de Choque. Mas, desta vez, surpreendentemente, o juiz pediu uma audiência de conciliação antes de decidir sobre o pedido de reintegração de posse feito pela Reitoria. Eu fui lá cobrir e, como imaginávamos, não deu em nada. A USP não cedeu nem um tiquinho. O juiz Adriano Laroca teria até hoje, quinta-feira, para tomar uma decisão (a lei manda que, depois da tentativa de conciliação, o prazo é de 48h). Saiu ontem à tarde mesmo, dia em que estudantes das Universidades Estaduais Paulistas já tinham um ato marcado na Avenida Paulista e uma outra audiência na Assembleia Legislativa de SP. E foi em clima de festa que eles marcharam até a Alesp, sem violência, sem depredação. A PM contou 1mil pessoas. O movimento, umas 2,5mil. Sem um representante da USP, a audiência foi simbólica, feita do lado de fora, com os deputados Carlos Gianazzi, Leci Brandão e Adriano Diogo apoiando o movimento estudantil e até fazendo uso da hashtag verbal: Fora Rodas!

Falar em “clima de comemoração” na manifestação de ontem não foi besteira depois que li o parecer do juiz, quando ele negou a liminar de reintegração de posse do prédio da Administração Central da USP. Leia e entenderá por quê! Sério! Dividi até o texto em subtítulos para facilitar a leitura. Vale a pena. É um reconhecimento importante para as lutas sociais no país.

Qual o lance da ocupação…

“Em resumo, a USP pede liminar de reintegração na posse do prédio de sua administração central ocupado desde 1o de outubro deste ano por estudantes como protesto em virtude da ausência de debate democrático pela Reitoria em relação a diversas propostas, notadamente a de democratização das eleições para a Reitoria, isto é, eleição do Reitor diretamente pelos estudantes, professores e servidores. Segundo os estudantes disseram em audiência de conciliação, o estopim para a ocupação acima teria sido a omissão da Reitoria em responder ao pedido (formulado em 19 de setembro) de abertura a todos os estudantes da reunião do Conselho Universitário, realizado no dia 1o de outubro, e o impedimento efetivo de participação dos estudantes, professores e servidores no referido ato. Alegou-se, ainda, que alguns conselheiros teriam sido impedidos inclusive de ingressarem no local de reunião, deixando, assim, de participarem da votação.”

Justiça convocou audiência de conciliação entre estudantes e a USP antes de decidir sobre a liminar. O que rolou na terça-feira…
“Na audiência de conciliação, designada por este juízo, houve a formulação de uma proposta intermediária às apresentadas inicialmente pelas partes para a desocupação, consistente no INÍCIO DO DIÁLOGO DA REITORIA COM AS ENTIDADES DOS ESTUDANTES, PROFESSORES E SERVIDORES CONCOMITANTEMENTE COM A DESOCUPAÇÃO DO PRÉDIO. A Reitoria insistiu que A DESOCUPAÇÃO PRECEDESSE O INÍCIO DA NEGOCIAÇÃO, MUITO EMBORA SEQUER TENHA SINALIZADO FIRMEMENTE COM UMA DATA PARA TANTO.

O que argumenta o juiz diante da falta de acordo…
Nesse contexto, para a concessão da liminar pretendida que, pelo clima de acirramento com a Reitoria, ensejaria uma desocupação involuntária, isto é, com o uso da forca policial contra estudantes universitários, é de se ponderar se os custos à imagem da própria USP e à integridade física dos estudantes da imediata reintegração na posse são maiores do que os relativos ao seu funcionamento parcial e ao seu patrimônio material (aqui, de concreto, há apenas notícia de danos na porta de entrada da administração central). Certamente, é muito mais prejudicial à imagem da USP, sendo a universidade mais importante da América Latina, a desocupação de estudantes de um de seus prédios com o uso da tropa de choque, sem contar possíveis danos à integridade física dos estudantes, ratificando, mais uma vez, a tradição marcadamente autoritária da sociedade brasileira e de suas instituições, que, não reconhecendo conflitos sociais e de interesses, ao invés de resolvê-los pelo debate democrático, lançam mão da repressão ou da desmoralização do interlocutor. [O RECADO AGORA É PARA TODOS:] Aqui, não se olvide que sequer escapa desse “pensamento único”, infelizmente, a maioria da mídia e da própria sociedade, amalgamada, por longos anos, nessa tradição de pensamento autoritário.”

Vamos às ponderações jurídicas…
“O próprio Poder Judiciário do Estado de São Paulo sofre as agruras de normas editadas em regime de exceção, absolutamente antidemocráticas, para a eleição de sua cúpula administrativa. De outro lado, cabe outra ponderação. A ocupação de bem público (no caso de uso especial, poderia ser de uso comum, por exemplo, uma praça ou rua), como forma de luta democrática (artigo 5º XVI da CF), para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instancia, à sociedade. Outrossim, FRISE-SE QUE NENHUMA LUTA SOCIAL QUE NÃO CAUSE QUALQUER TRANSTORNO, ALTERAÇÃO DA NORMALIDADE, NÃO TEM FORÇA DE PRESSÃO e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.

No caso, considerando o principal objetivo da pauta de reivindicações dos estudantes, professores e servidores, que é a democratização da gestão da USP – por sinal, prevista na LDBEN [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional]-, indiscutivelmente, eventual beneficio decorrente da ocupação, como forma de pressão, é muito superior à interdição parcial de funcionamento administrativo da USP e aos danos de pequena monta ao seu patrimônio, pelo que consta dos autos.”

Agora – rufem os tambores – a decisão…
Desta forma, – como pareceu ter ficado claro na audiência -, HAVENDO AINDA A POSSIBILIDADE DE RETOMADA DO PRÉDIO SEM O USO DA FORÇA POLICIAL, BASTANDO A CESSAÇÃO DA INTRANSIGÊNCIA DA REITORIA EM DIALOGAR, DE FORMA DEMOCRÁTICA, COM OS ESTUDANTES, e, ainda, considerando, como dito acima, que, nesse momento, a desocupação involuntária, violenta, causaria mais danos à USP e aos seus estudantes do que a decorrente da própria ocupação, indefiro, por ora, a liminar de reintegração de posse.”

E, para terminar, o “puxão de orelha” na Reitoria…
“Ademais, anote-se que a Reitoria, ao invés da abertura de diálogo com os estudantes para a imediata retomada do prédio e da normalidade de funcionamento administrativo da universidade, ingressou com a presente ação que, pelo contexto, ela própria sabe, poderá culminar na desocupação violenta, com maiores prejuízos à imagem de uma instituição acadêmica da relevância da USP e aos estudantes do que os até então causados. NA REALIDADE, PODE-SE DIZER QUE A REITORIA, SEM INICIAR QUALQUER DIÁLOGO COM OS ESTUDANTES, AO JUDICIALIZAR TAL OCUPAÇÃO POLÍTICA, FEZ UMA OPÇÃO CLARA PELO USO DA FORÇA, AO INVÉS DO DEBATE DEMOCRÁTICO. (…) Por fim, ouso dizer que o Poder Judiciário não pode mais, simplesmente, absorver conflitos negados pela postura antidemocrática dos demais poderes, sob o manto protetor de qualquer instituto jurídico -, no caso, o da posse -, sem o risco de ele próprio praticar o mesmo autoritarismo (repressão), os quais, na maioria das vezes, de modo irresponsável, são lhe transferidos pelos administradores de plantão. No mais, aguarde-se a vinda das contestações. Int.”

Chorei…

 

 
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