Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

7 coisas que não podem faltar numa casa alemã 09/01/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 1:33 AM

Descascador de ovo cozidoUm amigo compartilhou comigo uma lista publicada no site da Deutsche Welle (a DW) sobre 10 coisas que não podem faltar numa casa na Alemanha. Ela já começa zoando com a minha cara: Eierschalensollbruchstellenverursacher. Isso mesmo. Sabe o que é?
Um utensílio para quebrar a casca do ovo cozido. É tipo: “causador de onde se deve fazer a quebra da casca de ovo”. Devia ser apenas Eierschalenbrecheneitor Tabajara.

Mas é fato que alemães gostam de um ovo cozido no café da manhã. Ou como lanchinho. Dá uma mordida, bota sal e pimenta. Outra mordida… Wanja faz pra ele, mas descasca o ovo na raça.

Vejam aí a minha versão da lista da DW (que não inclui esse descascador de ovos, óbvio):

 

garrafas retornáveis

Aqui na Alemanha existem essas máquinas para retornar garrafas tipo PET e também para algumas de vidro. Geralmente, elas ficam nos supermercados. No final, você ganha um recibo com um crédito e pode usar para abater na conta final. Ou então tem garrafas que você pode retornar nos estabelecimentos. Até quando você compra uma garrafa de Coka numa lanchonete, eles podem cobrar o “Pfand” pela embalagem, que você recebe de volta ao retorná-la. O problema é que a gente vai acumulando garrafas em casa até ter coragem de ir onde tem essa máquina ou o que você vai ver na foto a seguir…

Lixeiras para vidro

…as lixeiras para vidro. Sim, na Alemanha existem essas superlixeiras públicas, específicas para vidro branco, verde e marrom. Eles reciclam mesmo as coisas por aqui. No prédio tem várias lixeiras de cores diferentes, que eu ainda não entendi para quê servem direito… :P

Wischmopp

A lista da DW fala que os alemães têm um produto de limpeza pra cada coisa. Mas eu vou fazer uma reclamação: eles não têm o bom e velho VEJA, aquele multiuso maravilhoso que você usa na cozinha, no banheiro e que cheira super bem. Por aqui, os produtos são tão específicos que falta simplesmente o básico… Mas se tem uma coisa que é maravilhosa na hora de limpar a casa é o rodo de passar pano. Gente, como não temos isso no Brasil??? É como esse aí da foto. Você encaixa o pano de limpeza nele e vai que vai…! Ele alcança todos os cantinhos, porque o cabo do rodo se movimenta. Simples e ABSOLUTO!

pastas

O velho clichê de que alemão é organizado… Se é verdade que, por lei, todos os documentos importantes devem ser guardados por dez anos, eles têm que ser metódicos mesmo. Agora, se todo mundo é assim, eu não sei. Mas é fato que o Wanja tinha todos os documentos importantes dele numa pasta dessas e que eu mesma tenho 3 delas em casa. Sou meio alemã hehe

drehkippfenster

Depois do(der) Wischmopp, o rodo absoluto, essa é a coisa que mais me surpreendeu positivamente numa casa alemã: as janelas podem ser abertas como basculante, só na parte de cima, pra entrar só um tiquinho de ar fresco. Você gira a “maçaneta” pra cima e puxa. Ou deixa no meio e abre a janela toda. Ou gira pra baixo com a janela fechada e ela é trancada. Drehkippfenster é um bagulho sensacional, e ainda tem esses vidros enormes, pra deixar a casa mais iluminada e com bastante vista <3

persiana

As janelas aqui não tem uma folha de madeira ou de alumínio para serem totalmente fechadas. É apenas vidro. Daí, pra garantir a privacidade, algumas muitas (sobretudo as que dão para a rua) têm essas persianas pelo lado de fora. Se você der sorte, elas são automáticas. Porque pra subir isso na mão num é tão de buenas assim. Essas persianas são pesadas e emperram que é uma beleza em casas mais antigas…

dois edredons

Agora, essa foi uma coisa que me deixou puta por ter que comprar dois edredons e duas capas e gastar muito mais dinheiro.  – :P Aqui, é comum que cada um tenha o seu, mesmo sendo um casal. Além de sair mais caro, eu simplesmente não consigo arrumar a cama direitinho com dois edredons. Eles não cobrem o colchão todo, é bizarro. Fora que os travesseiros aqui são 80 x 80 cm. Pra quê tudo isso???? Sem falar nos colchões, que não costumam ser Box, acho horrível… Já deu pra perceber que tenho saudades da cama que eu tinha no Brasil, né? hehe

 

Quando o ralinho de pia faz falta… 04/01/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 7:22 PM

Wanja olhou para a caixa com cara de interrogação. Que encomendas são essas? Eu pedi pra minha mãe aproveitar o envio do álbum de casamento e mandar mais umas coisinhas… Agulha e linha, ralinho de pia, vassourinha de mesa – assim mesmo, quase tudo no diminutivo, do jeito que a gente gosta no Brasil ;)

A vassourinha em ação surpreendeu o Wanja, que jamais havia visto algo parecido, tão simples e tão eficiente. Tecnologia brasileira, Bäbe! Coisas que você jamais verá na Alemanha. Ou melhor, coisas que até agora eu não vi. Talvez existam, e eu que precise de mais uma vida aqui pra descobrir.

Comecei a nova temporada no Blog com essa historinha porque ela me fala de uma coisa que é evidente no choque que sofremos ao mudar de lugar no mundo: as nossas necessidades (que são culturais e afetivas).

Ralinho de pia foi só uma coisa útil e banal que coube na caixa do correio. Se pudesse, eu teria pedido outras coisas. Eu pediria coisas todos os dias. Um jogo de tabuleiro, meu travesseiro, um maiô de natação… Minha cama-box, um churrasco em Perdões, picanha, um dia inteiro bebendo Brahma, um passeio na Silva Telles com a minha mãe… Meu cabeleireiro na Rua Augusta, frango à passarinho com cebolinha, copo americano, Trindade… Viajar com o carro do meu pai, tomar café da manhã na padaria Bella Buarque, comer comida por quilo, pão de queijo… :/

Algumas dessas coisas realmente me fazem falta aqui. Porque eu não consigo achar equivalente pra elas. O travesseiro é grande e esquisito, o maiô é caro e cobre a bunda toda (nunca nem tive coragem de experimentar!), cama-box parece ser artigo de luxo, não há cabeleireiros que cortem cabelo cacheado, nunca vi uma loja de brinquedos pra comprar um joguinho pra jogar com o marido.

E eu me sinto perdida.

É muito difícil viver num lugar onde você não sabe onde comprar um kit com linha e agulha. Não conseguir encontrar ou fazer o básico, aquilo que, antes, você tinha certeza de ‘onde’ e ‘como’.

Eu vou ter que deixar de precisar dessas coisas? Ou eu vou achar outros caminhos até elas? Ou outras necessidades serão criadas?

Em 2010, quando fui pra Londres, descobrir essas diferenças era uma diversão. Mas agora, na Alemanha, perceber as diferenças dá medo. Porque não se trata mais de um ano de intercâmbio. Se trata de uma vida completamente nova, sem prazos e talvez sem volta. Em 2010, eu era criança, no sentido de inocente e flexível. Olhando agora, em 2016, vejo que, às vezes, “crescer” não faz a gente melhor.

O desafio de 2016 será equacionar o desapego das necessidades e das comodidades brasileiras (o saber o ‘quê’, o ‘onde’ e o ‘como’ das coisas, sempre) à abertura para abraçar coisas e jeitos novos de viver, pelas regras alemãs. E com espirito de intercambista – que, afinal, é o que nós somos, sempre.

 

Não pode 25/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã — Aline Moraes @ 12:34 AM
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Bater um pânico, às vezes, é normal. Imagem
Mas ter medo…
Aaah não, isso não pode.
Nunca

 

A primeira barata 24/01/2014

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 10:50 PM
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E já que o clima é de falar das desventuras no cafofo, preciso dividir o que aconteceu na noite do dia 2 de janeiro:

Acabei de matar a minha primeira barata. Enorme! Achei que fosse voadora. Do sofá, só vi a bichinha passando do quarto pela sala até o banheiro. Segundos de indecisão. Só queria fechar a porta e esquecer que ela estava aqui em casa.

Mas fui menos covarde (até porque, sem isso, eu não conseguiria dormir mais tarde), peguei a vassoura e fui atrás dela. Acuei a bicha no box e a matei com uma fúria tremenda. “Die, piece of shit!”, eu gritei, porque a batalha parecia não ter fim. Foi meio bizarro.

Me senti meio animalesca depois…

 

O nascimento do desleixo

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 10:45 PM
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Quem nunca… foi na casa de um vizinho ou conhecido, viu aquela zona, fios correndo soltos, coisas que funcionam pela metade, gambiarras mil, e pensou “credo, que pessoa desleixada!”????

O começo de 2014 me trouxe uma outra perspectiva sobre o nascimento do desleixo na vida de alguém, de uma casa toda. Eu não sou a pessoa mais organizada do mundo, mas meu limite é curto pra bagunça. Logo é ela ou eu. E tudo entra nos trinques em pouco tempo (pra ser bagunçado de novo… é, eu sei…). Mas bastou uma, duas, três coisas quebrarem em casa pra situação sair do controle.

Primeiro foi a geladeira. Desde que se mudou lá pra casa, ela tem problemas. Mas ficou insustentável quando ela, depois de um “conserto”, começou a congelar quase tudo dentro dela, do alface à garrafa d’água. Só se salvava a cerveja e o iogurte. Fiquei sem geladeira por um mês, mas com um congelador superpotente :/. O wifi também tava zuado, não funcionava no celular. Mas a coisa pegou quando o computador (que ainda reconhecia o sinal da internet) decidiu combater o workaholicismo e parar de funcionar a cada uma hora e meia de uso.

Viajei, esqueci desse problema caseiro que ficara pra depois, mas, quando voltei, bateu o desespero… Nada funcionava, precisaria fazer gastos não programados, fiquei puta com o cara que mexeu, mexeu e não deu um jeito na geladeira (“eu perdi uma caixa de morangos por culpa sua, seu…”). Marcavam para irem ver a bendita e o wifi e nada de o conserto aparecer. A coisa saiu tanto do eixo que, pra não enlouquecer, eu desencanei. Moveis foram mudados de lugar à força, a faxina não parecia mais necessária, a bagunça que se acumulava não incomodava nada perto daquele desarranjo todo da geladeira, da internet e do computador, itens essenciais no cafofo.

E foi então que me vi morando numa casa digna daquele “quem nunca…”. E me assustei. Entendi que o desleixo pode ser mais uma consequência do que uma opção.

 

Mary and Max – a lesson of acceptance 06/01/2014

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 1:30 AM
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“The reason I forgive you is because you are not perfect. You are imperfect and so am I. All humans are imperfect. When I was young, I wanted to be anybody, but me. Dr. Bernard Hazelhof said if I was in a desert island than I would have to get used to my own company. He said I would have to accept myself, my warts and all. And we don’t get to choose our warts. They are part of us and we have to live with them. We can, however, choose our friends. And I am glad I have chosen you. Dr Bernard also said that everyone’s lives are like a very long sidewalk. Some are well-paved; others, like mine, have cracks, banana skins and cigarette butts. Hopefully one day our sidewalks will meet and we can share a can of condensed milk.”

Max Jerry Horowitz, New York, sometime in 1980s… From the animated movie “Mary and Max”, absolutely worthwhile!

 

I’m more and more convinced that being honest and sincere to yourself might not lead you through the easier path. But to a true lasting one. And nothing can compare to that. May we always take honesty of mind and sincerity of spirit as measurements for our thoughts, feelings and actions.

 

This week’s lesson 05/01/2014

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 12:21 AM
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I was taught a lesson this week at work, and in life. As a journalist, a reporter, my task is to address to my best the problems of others. Somehow, I failed this week, twice. And I have failed before. But, this time, it got me deeper, I guess. I decided to share the lesson so you know about it, and so I won’t forget it:

“Be simple and heartfelt in all you do.

Consider this: ‘Take your brother’s need as the measure for your action, and solve the problems of the world. There is no other course.'”

What about integrating into your daily life what is asked to be considered? “Take your brother’s need as the measure for your action”. Don’t be overwhelmed by the task of “solving the problems of the world”. It really starts small, with the most basic needs, with right relationship, with you being honest and sincere to yourself, to what you think, say, want and do.

Take sometime to find out for yourself how can you help daily so that that major task is fulfilled, and make the changes needed to your approach to work, studies, friendships, citizenship.

There’s a beautiful and real message of hope out there. We are being helped from behind the scenes to make changes in the world we live in – and there’s no magic to it, there’s hard work. This week, the most useful words from the message to me are “be simple and heartfelt in all you do”. Let’s do that???

[[To know more about the message: http://www.share-international.org]]

 

 
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