Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Páscoa – ou o verdadeiro Ano Novo 04/04/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 8:02 AM
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Nessa Páscoa, descobri também que os ovos que as pessoas pintam são comestíveis! Descascamos e mandamos ver na volta pra casa😉

Passei todas as Páscoas da minha vida viajando, com meus pais ou com amigos. Sempre foi um feriado, uma oportunidade de estar com os meus, curtindo. Minha família nunca celebrou o tal significado da Páscoa, morte e renascimento de Jesus. Devo ter feito enfeites com coelhinhos na escola, mas nunca busquei ovos escondidos pela família.

Neste ano, eu queria dar àquele momento o mesmo significado: tempo livre pra viajar e curtir. Mas para o meu marido, a época de Páscoa é também de uma importante festividade espiritual. Resultado: ou eu ia viajar sozinha ou iria acompanhar o Wanja, que viajaria para a cidade onde mora o pai dele, na região da Bavária, onde eles fariam um intenso trabalho espiritual, com meditação.

No começo, fiquei irritada por sentir que minha liberdade de escolher passar a Páscoa como sempre passei havia sido limitada. Podia viajar sozinha, mas também não queria (e a verdade é que viajar na Páscoa sai bem mais caro). Então resolvi ir junto. Regensburg é uma cidade bonita, antiiiga, valeria o passeio também. Fomos.
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Room 22/03/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 6:46 AM

Não se trata de dizer se a cabana onde por anos viveram Jack e Joy no filme “Room” era pequena demais, suja demais, desumana demais. Aquilo era o mundo para Jack. Ele acordava e dava bom dia pra cada móvel, porque aquilo era a realidade dele. Todo o resto eram só imagens em duas dimensões na TV.
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Quando mãe e filho (sempre pensei que fosse filha!) conseguiram escapar, se iniciou um processo estranho, de negação. Jack sentia falta do “Room”, tudo o que estava no mundo lhe era estranho e ele não queria experimentar essa outra realidade. Ele queria a cama de Room. Passado o primeiro momento de alívio e felicidade por ter se livrado do cativeiro, Joy começa a pensar e lamentar o que perdeu naqueles sete anos, e não aquilo que ganhou ao ter liberdade.
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Um sorriso de cumplicidade 22/02/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 6:12 PM

Outro dia, eu estava voltando pra casa, contente por qualquer coisa (que é a melhor coisa do mundo!) e cantarolando uma música da Alanis. Daí que eu estava prestes a cruzar com uma moça – visivelmente alemã, cabelo meio azul, piercing no nariz – e, num longo segundo, a gente trocou um sorriso de cumplicidade. Ela também cantarolava a caminho de algum lugar, contente por alguma coisa. Foi um momento mágico. Foi num piscar de olhos, num abrir e fechar de boca, mas encheu o meu coração de uma espécie de esperança, de um otimismo… daquela certeza de que a gente sempre encontrará gente como a gente em qualquer lugar. Home is where the heart is. And where we can be ourselves.

diferentes porém iguais

 

Joining You 16/02/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 3:19 PM

A música é um bagulho maravilhoso. Desde que eu era bem pequena, eu a uso como método de aprendizado. Minha relação de amor com o Inglês surgiu por meio da música. Tateando palavras, saboreando pronúncias e descobrindo significados. Não só dos termos estrangeiros, mas das letras.

Putz, recebi tanto apoio dos meus ídolos, que me escreveram em inglês… Passei por crises existenciais, decepções amorosas, momentos românticos, reflexões profundas… E é engraçado que eu ouço praticamente as mesmas músicas há anos e os sentidos vão se descortinando mais e mais a cada vez. Aconteceu isso hoje.

Sou fã na Alanis desde que eu tinha, pelo menos, 15 anos. No começo, era difícil entender o que ela dizia sem ler a letra. Algumas canções eu aprendi apenas o que eu pude identificar ao ouvi-las. Uma delas é Joining You. Ela nunca fez muito sentido, apesar de eu sentir sua intensidade.

Hoje eu resolvi pegar a letra pra ver se eu estava cantando certo. Me surpreendi ao perceber que entendi de ouvido, lá atrás, 90% do que Alanis diz. Mas faltavam alguns detalhezinhos. E – puta! – que música foda.

Talvez eu não tenha entendido antes porque o meu momento de vida não me permitia. Hoje, sabendo mais como o sofrimento pode levar à morte, eu entendi. E abracei a mensagem. Alanis fala a um amigo que queria se suicidar. E ela diz “se nós fôssemos nossos rótulos, nossas ilusões, nossos corpos e emoções, nossos futuros, nossa cultura, nossas defesas, nossos líderes, nossas rejeições, nossos sucessos, as condenações dos outros, as projeções dos outros, nossos salários, nossas obcessões e paranoias, nossas aflições, nossas negações… eu me juntaria a você.”

E nós não somos essas coisas. Podemos não saber o que somos, mas não somos essas coisas. Vale a pena viver nem que seja para provar para nós mesmos que essas coisas não podem e não vão nos definir.

Obrigada, Alanis.

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7 coisas que não podem faltar numa casa alemã 09/01/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 1:33 AM

Descascador de ovo cozidoUm amigo compartilhou comigo uma lista publicada no site da Deutsche Welle (a DW) sobre 10 coisas que não podem faltar numa casa na Alemanha. Ela já começa zoando com a minha cara: Eierschalensollbruchstellenverursacher. Isso mesmo. Sabe o que é?
Um utensílio para quebrar a casca do ovo cozido. É tipo: “causador de onde se deve fazer a quebra da casca de ovo”. Devia ser apenas Eierschalenbrecheneitor Tabajara.

Mas é fato que alemães gostam de um ovo cozido no café da manhã. Ou como lanchinho. Dá uma mordida, bota sal e pimenta. Outra mordida… Wanja faz pra ele, mas descasca o ovo na raça.

Vejam aí a minha versão da lista da DW (que não inclui esse descascador de ovos, óbvio):

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Quando o ralinho de pia faz falta… 04/01/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 7:22 PM

Wanja olhou para a caixa com cara de interrogação. Que encomendas são essas? Eu pedi pra minha mãe aproveitar o envio do álbum de casamento e mandar mais umas coisinhas… Agulha e linha, ralinho de pia, vassourinha de mesa – assim mesmo, quase tudo no diminutivo, do jeito que a gente gosta no Brasil😉

A vassourinha em ação surpreendeu o Wanja, que jamais havia visto algo parecido, tão simples e tão eficiente. Tecnologia brasileira, Bäbe! Coisas que você jamais verá na Alemanha. Ou melhor, coisas que até agora eu não vi. Talvez existam, e eu que precise de mais uma vida aqui pra descobrir.

Comecei a nova temporada no Blog com essa historinha porque ela me fala de uma coisa que é evidente no choque que sofremos ao mudar de lugar no mundo: as nossas necessidades (que são culturais e afetivas).

Ralinho de pia foi só uma coisa útil e banal que coube na caixa do correio. Se pudesse, eu teria pedido outras coisas. Eu pediria coisas todos os dias. Um jogo de tabuleiro, meu travesseiro, um maiô de natação… Minha cama-box, um churrasco em Perdões, picanha, um dia inteiro bebendo Brahma, um passeio na Silva Telles com a minha mãe… Meu cabeleireiro na Rua Augusta, frango à passarinho com cebolinha, copo americano, Trindade… Viajar com o carro do meu pai, tomar café da manhã na padaria Bella Buarque, comer comida por quilo, pão de queijo…:/

Algumas dessas coisas realmente me fazem falta aqui. Porque eu não consigo achar equivalente pra elas. O travesseiro é grande e esquisito, o maiô é caro e cobre a bunda toda (nunca nem tive coragem de experimentar!), cama-box parece ser artigo de luxo, não há cabeleireiros que cortem cabelo cacheado, nunca vi uma loja de brinquedos pra comprar um joguinho pra jogar com o marido.

E eu me sinto perdida.

É muito difícil viver num lugar onde você não sabe onde comprar um kit com linha e agulha. Não conseguir encontrar ou fazer o básico, aquilo que, antes, você tinha certeza de ‘onde’ e ‘como’.

Eu vou ter que deixar de precisar dessas coisas? Ou eu vou achar outros caminhos até elas? Ou outras necessidades serão criadas?

Em 2010, quando fui pra Londres, descobrir essas diferenças era uma diversão. Mas agora, na Alemanha, perceber as diferenças dá medo. Porque não se trata mais de um ano de intercâmbio. Se trata de uma vida completamente nova, sem prazos e talvez sem volta. Em 2010, eu era criança, no sentido de inocente e flexível. Olhando agora, em 2016, vejo que, às vezes, “crescer” não faz a gente melhor.

O desafio de 2016 será equacionar o desapego das necessidades e das comodidades brasileiras (o saber o ‘quê’, o ‘onde’ e o ‘como’ das coisas, sempre) à abertura para abraçar coisas e jeitos novos de viver, pelas regras alemãs. E com espirito de intercambista – que, afinal, é o que nós somos, sempre.

 

Não pode 25/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã — Aline Moraes @ 12:34 AM
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Bater um pânico, às vezes, é normal. Imagem
Mas ter medo…
Aaah não, isso não pode.
Nunca

 

 
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