Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

As conchas 26/06/2017

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 7:18 PM

Acho que eu só posso começar agradecendo. Agradecendo por ter vivido aquilo. Uma troca de e-mails ainda melhor do que a que me inspirou a reler nossa história. Ou melhor, o começo.

Que tempo maravilhoso foi aquele! Que bom que eu o encontrei quando encontrei. Fosse antes, eu não estaria preparada. Fosse depois, já não haveria as circunstâncias. Seriam outras e, temo, não seriam tão boas. Foi exatamente quando e como e com quem deveria ter sido.

Li os e-mails entre o fim de uma fase e o começo da outra como se fosse um livreto mesmo. Como se fosse o Gut Gegen Nordwind e o Alle Sieben Wellen [romance alemão sobre um homem e uma mulher que, sem querer, começam a se corresponder pela internet e desenvolvem diálogos incríveis de amor platônico]. Foi de aquecer o coração.

No dia seguinte, apesar de grata, senti um aperto no peito. Um cadinho de como eu me senti nos dias em que eu me dava conta que aquela história tinha terminado. Uma sensação de perda, coisa estranha.

Senti isso nos anos seguintes ao fim também, de diferentes formas e em diferentes intensidades. Perda. Mas o que eu vivi eu não perdi. Impossível! Então, vem daonde essa sensação? Só posso chegar a uma conclusão: eu. Eu perdi aquela Aline. Uma Aline que, de 2005 a 2007, de um jeito, e de 2007 a 2009, de outro, gostou muito de ser quem era – ou do processo, mais do que do resultado em si. Aline essa que foi, como nunca, desafiada a se olhar mais, a conhecer mais, a descobrir mais.
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A beleza

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 4:55 PM

Eu queria ver beleza. Mas ver mesmo. Eu sei que ela está ali. Por exemplo, no céu aquarelado desse anoitecer. Meio violeta, meio laranja. Eu vejo. Mas não sinto. Não bastam olhos. O coração está cego.

 

Abraços que curam. E que faltam 20/06/2017

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 6:37 PM

Depois de ver o vídeo de um grupo de músicos que cantam e tocam pra uma desconhecida, tiram dela lágrimas e trocam com a moça abraços sinceros no fim, fiquei pensando… acho que é isso! É disso que eu mais sinto falta. Abraços.

Desses que te envolvem num laço de amor, que reafirmam o querer, ou que refrescam a nossa humanidade. Na minha vida no Brasil, não havia dia sem abraço. Os dos colegas queridos de trabalho sempre estavam lá. Chegavam a vir até mesmo de algum entrevistado, por vezes apertadinhos, depois de uma conversa mais profunda. E sempre saíam dos braços da minha família e das minhas amigas.

Vou te falar… lógico que eu morro de saudade da praia – de Trindade, de Ubatuba -, dos churras em Perdões, dos passeios com os pais, das butecagens com a galera do trampo, de zanzar pela efervescência de Sampa, dos cinema-em-casa e idas ao Cafe Uber com a patotinha que assina a aliança que eu levo na mão direita há mais de 10 anos.

Mas, quando eu penso direito, o que realmente fazia a diferença nessas encontros eram… os abraços. Bem dados. Com carinho no ombro. Sempre sinceros na sua troca de calor humano, mesmo naquele jogo rápido de chegada e de partida. Mano, que falta isso faz.

Não é querendo julgar, eu aceito que aqui os costumes são diferentes. Porém, isso não me impede de sentir falta de um abraço. Queria recebê-lo não só do meu marido – que, apesar de bem abrasileirado, tem muito de Alemanha em si, até no jeito de abraçar –, mas também da dona simpática do café aqui do bairro. Ou de quem trabalha diretamente comigo, na hora de dar oi e tchau. Ou do senhorzinho artista que é quase nosso vizinho e é tão interessante…. Queria tanto abraçá-lo ao encontrá-lo na rua. Mas aqui num dá.

Talvez eu devesse agir como agia no Brasil, mas as diferenças são palpáveis. Não dá pra fingir que elas não estão entre os dois corpos, que poderiam se abraçar mais, mas não se abraçam. Porque eu sei que elas estão lá. Sou tudo, menos ingênua. Talvez fosse bom ser um pouco… Abraçaria sem achar que estava fazendo algo “estranho”. Mas, veja, bom mesmo é um abraço de duas vias.

Cheguei a pensar em fazer uma ação daquelas de “abraços grátis”. Já vi isso em São Paulo e sempre achei meio forçado. Porém hoje, se eu visse alguém oferecendo aqui, acho mesmo que eu aceitaria. Mas pra tomar a atitude de fazer, me sobra vergonha. Me falta coragem. E parece que também já me faltam abraços pra dar…

***

 

 

Müllentsorgung: Kosmetika und Hygieneartikel 03/04/2017

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 8:01 AM

Als ich in meine Wohnung in Brasilien eingezogen bin, in 2013, habe ich einen Webblog-Post über Müll Entsorgung geschrieben: Elektromüll, alte Medikamente, Rötgenbilder (raixo-x), Glühbirnen und Leuchtstofflampen, Öl, Bauschutt (entulho). Eine Kategorie fehlte damals: Kosmetika.

Solche Frage “wie ich nicht-konventionell Müll entsorge?” ist mir wieder wichtig, aber diesmal in Deutschalnd – ein Land, wo Recycling Teil des Alltags ist und viele Regeln für Mülltrennung gibt.

Ich fange dann mit der komplexen Kategorie “Kosmetika” an.

– Nagellack: 1) zuerst einmal muss das Fläschchen von den Lackrückständen (-er: resíduos) befreit werden. Wie? Einfach mit etwas Nagellackentferner. Die Flüssigkeit soll in ein wiederverschließ bares Glas gekippt werden. 2) Der Kunststoffdeckel mit dem Pinsel kann einfach in den gelben Sack (Plastikmüll). 3) Das leere und saubere Fläschchen geht in den Altglascontainer. 4) WICHTIG!!! Die Nagellackreste können unter gar keinen Umständen (circunstância) in den Ausguss (pia, cano) geschüttet (schütten > despejar) werden! Diese Reste werden gesammelt und dann bei Gelengenheit beim Wertstoffhof (ecocentro) in der Nähe abgegeben. [Die Infos habe ich in der Webseite entosorgen.org gefunden 😉 ]

– Spraydosen: die gehören auch zur Kategorie “gefährliche Abfälle” und müssen zum Wert- und Schadstoffsammelstellen.

– Hygieneartikel: z.B. Wildeln, Monatsbinden (absorvente) und andere Hygieneartikel gehören zur Restmülltonne (grau). Mehr Infos hier.

– Kunststoffflaschen von Körperplegemittlen: die gehören zur Gelbe Tonne. Der Inhalt muss sauber auszulöffeln werden (limpar com uma colher para tirar o excesso) und in die Graue Tonne entsorgen (also, nie in den Ausguss schütten). ACHTUNG: “Bitte benutzen Sie zur Säuberung nie frisches Wasser (z.B. im letzten Spülwasser reinigen). Stark verschmutze Verpackungen geben Sie bitte zum Restmüll.”

Wertstoffhof in Bonn:

In Bonn gibt es zwei Sammelstellen für Wertstoffe, gefährliche Abfälle und brennbare Abfälle (Sperrmüll, Hausmüll, Renovierungsabfälle).Das Angebot gilt ausschließlich für den im Bonner Stadtgebiet anfallenden Müll. Als Nachweis der Herkunft ist ein geeignetes Dokument (Personalausweis, Mietvertrag, Arbeitsauftrag oder ähnliches) bereit zu halten.

Wo?
Wert- und Schadstoffsammelstelle Bonn-Weststadt: Auf dem Gelände der Müllverwertungsanlage Bonn, Immenburgstraße 22, Einfahrt über die Straße Am Dickobskreuz, Tor 2
Öffnungszeiten : Mo.-Fr. 8-17 Uhr, Sa. 8-12 Uhr

Was? (alle ohne zusätzliche Gebühr)
Grün- und Gartenabfälle (Äste bis 1 m Länge und max. 10 cm Durchmesser)
Metalle
Papier und Kartonagen
Elektroaltgeräte (zum Beispiel: Kühlschränke, Herde, Waschmaschinen, Fernsehgeräte, Musikanlagen, Staubsauger, Computer, Elektrokleingeräte)
CDs
Naturkorken (cortiça)
Gefährliche Abfälle aus Haushalt (Farben, Lacke, Pflanzenschutzmittel, Chemikalien, Spraydosen etc.)

Mehr Infos:
Abfall- ABC
Infos von A biz Z – Bonnorange

 

 

Hoje, eu liguei pra minha Vó 04/01/2017

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 9:34 PM

Hoje, eu liguei pra minha Vó. A voz dela, surpresa, do outro lado. Aline??? Ligando lá da Alemanha??? Daqui da Alemanha, Vó… Hoje, ela faz aniversário. 70 e tantões. A Vó pra quem, em vez de dizer “Oi”, eu quero cantar “Nescau, Nescau, Nescau… Parará, tim bum!”. Ela parecia apressada, não queria estender muito a conversa. E eu pensando “Não, Vó, fala mais…”. Depois que desligamos, acho que saquei. Ela devia ter pensado que eu estava fazendo um DDI. Aquele “Lá da Alemanha????” ecoou… Eu devia ter explicado que, pelo Skype, ligar não custa quase nada [e por que eu não liguei mais vezes antes, né?]. Queria ter falado e ouvido mais. Minha Vó. Glorinha. Gloriosa. Mas tudo bem, daqui a 30 dias não vamos precisar de telefone

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A viga estrutural do nosso castelo, fortaleza, porto de eternas chegadas

 

O começo e o fim das formalidades alemãs 07/12/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 3:12 PM

É incrível como a língua e suas regras refletem a mentalidade dos países onde é falada! Depois de passar a zona de arrebentação do mar revolto que é o aprendizado do idioma alemão, a gente consegue tomar fôlego para reparar em algumas curiosidades culturais. Como a questão da formalidade.

Em Português, usamos “senhor” e “senhora” para os mais velhos, em sinal de respeito. Em situações mais formais, de trabalho por exemplo, também é usado, mas só se a pessoa for de fato mais velha do que quem está falando, tipo, dos 40 pra cima (e aí ouvimos muito “não, por favor, me chama de ‘você'”). Mas é só.

Não é como no alemão, onde existe a diferença mais clara, entre “du” (informal) e “Sie” (formal). Na língua de Goethe (mais conhecido como “Guêti”), usamos “Sie” para os mais velhos, em situações formais (tipo atendimento, serviços, trabalho), com quem está acima de você numa hierarquia (chefe, professor…) e, em geral, com qualquer pessoa que você não conheça, independentemente da idade. Existem exceções, claro, depende do ambiente. Na escola, na universidade, num barzinho ou café mais descontraído dá pra chegar mandando um “du” logo de cara, mesmo que vocês não se conheçam. Mas é preciso ter tato, porque os alemães levam essa regra (relativamente) a sério.

Eu assisto a uma série alemã de comédia satírica policial chamada Mord mit Aussicht (literalmente “assassinato com vista” – entendo o que o nome quer dizer, mas ainda não consigo fazer uma tradução boa pro português rsrs). O espisódio que assisti hoje satiriza um pouco essa coisa da formalidade alemã (a costumeira rigidez e o apreço pela ordem, que fazem parte da mentalidade do país e, não por acaso, se refletem também nas complexas regras da língua), e me inspirou a escrever esse post.

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Herr Zielonka e Frau Haas

Dois policiais, um homem e uma mulher, ambos chegando nos 40, creio eu. Por causa do trabalho, eles sempre chamaram um ao outro de Sie (o que tem até verbo no alemão: “sietzen”). Agora, eles estão saindo e, no meio dos beijos, surge a pergunta:

_ Sag mal, können wir jetzt eigentlich Du sagen? [Me diga, podemos agora afinal dizer “você”?]
_ Du! [Você!]

Quer dizer… Eu fiquei imaginando os dois na cama, no rala e rola, dizendo um ao outro “Oh yeah, o senhor é muito bom!” ou “Nossa, a senhora é uma delícia…”. Não me surpreenderia vindo de alguns alemães rsrs.

Bem… na dúvida, é sempre melhor perguntar “Darf ich Sie dutzen?” [Posso chamar o (a) senhor (a) de ‘você’?]. Só espero que isso já tenha rolado antes de começarem os amassos 😛

 

Destino 29/11/2016

Filed under: Sem categoria — Aline Moraes @ 9:31 PM

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Perto do mar

a cabaça virou

balão

E na minha casa

decoração

Pendurado

nunca voou

Hoje na varanda

ele flutua

Virou comedouro

Perdeu tinta

pra chuva

Vai se desfazendo

aos poucos

Mas finalmente

ganhou

o céu