Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Isolada em pleno burburinho de Londres 29/09/2010

Filed under: Cotidiano,Intercâmbio — Aline Moraes @ 4:50 PM

Quando, finalmente, consegui uma mesinha pra apoiar meu laptop, espetei o dongle na entrada USB e dei upload nas minhas primeiras fotos tiradas em Londres. Esse foi um dos momentos mais emocionantes do intercâmbio! Pode? rs

“Toda casa devia ter internet. Hoje é tão básico quanto água e luz…”

Na primeira semana em Londres, uma das cidades mais importantes e movimentadas e cosmopolitas (talvez a mais) do globo, me vi isolada do resto mundo. Que contraditório… Tudo porque estava sem acesso à internet. Minha casa não tinha conexão wi-fi e quando pedi informação na rua perto de casa sobre alguma lan-house recebi uma interrogação como resposta. Foi de-ses-pe-ra-dor!

Mesmo quando, finalmente, entrei num café que me oferecia acesso à internet durante uma hora se eu comprasse uma xícara de chá e um muffin, o desespero não passou. Eu não precisava apenas mandar e-mails para família e amigos dizendo que estava viva e inteira. Precisava me conectar com o mundo! E não só o virtual. Dei-me conta de que precisaria navegar pela rede pra conseguir vagar por essa cidade… Saber onde ficam os lugares, quanto tempo eu levo pra ir daqui acolá, quanto custa o bilhete de metrô pra zanzar o dia todo… E, claro, pra reencontrar os amigos que fiz no Camp de chegada à Inglaterra.

Entrei em colapso no segundo dia! Sem amigos, sem família, sem… internet!!! No primeiro dia em que espetei o aparelho USB da T-Mobile (uma das operadoras de celular e internet móvel daqui) e recebi as boas-vindas do Google direto do meu laptop, tive uma sensação semelhante àquela que sentimos quando, finalmente, alcançamos o banheiro depois de longos minutos segurando o xixi. Como chegamos a esse nível de dependência?

No Brasil, eu não havia me dado conta… Tinha internet à vontade todos os dias, a toda hora. Em casa, no trabalho. Até no celular, por alguns dias (breve promoção da Vivo). Então, de fato, parecia tão natural quanto acender a luz do quarto ou ver a água correr pela torneira da pia.

Aqui, ainda lido com o acesso limitado ao mundo virtual. Não sou mais uma outsider, graças à mobile broadband, mas não posso fazer tudo o que quero com apenas 2G a £15 por mês. Falar com meus pais por Skype? Tornou-se impossível. Assistir a vídeos no Youtube? Há, já virou lenda isso aí… Raciono meu acesso a algumas poucas horas por dia pra checar Gmail e Facebook, e dar upload nas poucas fotos que tirei até agora, ou para planejar o que fazer no final de semana e descobrir onde fica o supermercado mais próximo.

Antes, a web era meu destino. Agora, é apenas uma frágil ponte de madeira, cujas tábuas podem despencar a qualquer momento. Mas se eu correr, consigo chegar ao outro lado. É… é engraçado… Numa das cidades mais movimentadas e antenadas do mundo, cá estou eu, aprendendo a depender menos do ambiente virtual pra me sentir “viva”. A vida tem dessas contradições… Como bom ser vivo de intelecto desenvolvido e polegar opositor, a gente se acostuma a tudo. Menos a viver FORA da rede.

 

3 Responses to “Isolada em pleno burburinho de Londres”

  1. MariPassos Says:

    Não fosse um pequeno texto informativo, eu não saberia das peripécias dessa jornalista que está tão longe. Deve ser muito bom viver o novo e sentir saudade do velho. Imagino que a sensação seja indescritível, mas boa. Curta muito cada momento, cada pão (em todos os sentidos rs), cada conexão e amizade. Os melhores momentos serão contados aos seus netinhos. E vc vai dizer “que tempo bom que não volta nunca mais…”. Beijo queridona!

  2. Hellen Andrade Says:

    É realmente surreal, não é, Aline? E pensar que a gente sai de casa aqui no Brasil e topa com uma lan house a cada 20m… Essa viagem já está fazendo o que deveria: quebrando nossos conceitos e nos abrindo um novo e curioso mundo. Eita, até parece que eu tô aí também com esse “nossos” e “nos”!😀
    Beijo, aproveita tuuuuudooooo e saudade🙂

  3. Aline! Poxa, e já faz mais de um mês que você foi? Realmente passa muito rápido…e é dificil mesmo ter a consciência da nossa dependência internetética (!). No que pode ajudar, tente achar uma indicação de um bom guia londrino e vá lendo o que achar nas bancas locais…pelo menos foi o que me fez me sentir “de casa” mais rápido. Continua ai, aproveitando!! =)


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