Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Arrebentação 02/09/2016

Filed under: Cotidiano,Divã,Vida no exterior — Aline Moraes @ 4:14 PM
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praia da fazenda

Aprender inglês é como banhar-se na Praia da Fazenda. É tranquilo, familiar, você vai desde pequeno. Dá pé por bastante tempo. Só quando você quer mesmo ir bem mais adiante, depois de bastante avançar, já quase em Alto Mar, é que a areia deixa de tocar os pés. E muita gente acaba ficando só no raso mesmo.

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Já aprender Alemão é se aventurar na Praia da Sununga. Logo de cara tem onda forte, é desafiador, e você fica pensando “putz, isso não vai dar certo”. Mas você vai, toma uns puta caldos, fica com o bikini cheio de areia, se pergunta “qq eu tô fazendo aqui?!”. Daí, passada a arrebentação, você percebe que não dá pé, mas a água é mais calma, você nada, você boia, nada de novo e vai se sentindo muito forte por ter vencido o começo revolto. Olha pro horizonte e vê que tem muita água pela frente, mas medo você já não tem mais 🙂

 

 

Não pode 25/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã — Aline Moraes @ 12:34 AM
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Bater um pânico, às vezes, é normal. Imagem
Mas ter medo…
Aaah não, isso não pode.
Nunca

 

A primeira barata 24/01/2014

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 10:50 PM
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barataE já que o clima é de falar das desventuras no cafofo, preciso dividir o que aconteceu na noite do dia 2 de janeiro:

Acabei de matar a minha primeira barata. Enorme! Achei que fosse voadora. Do sofá, só vi a bichinha passando do quarto pela sala até o banheiro. Segundos de indecisão. Só queria fechar a porta e esquecer que ela estava aqui em casa.

Mas fui menos covarde (até porque, sem isso, eu não conseguiria dormir mais tarde), peguei a vassoura e fui atrás dela. Acuei a bicha no box e a matei com uma fúria tremenda. “Die, piece of shit!”, eu gritei, porque a batalha parecia não ter fim. Foi meio bizarro.

Me senti meio animalesca depois…

 

O nascimento do desleixo

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 10:45 PM
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Quem nunca… foi na casa de um vizinho ou conhecido, viu aquela zona, fios correndo soltos, coisas que funcionam pela metade, gambiarras mil, e pensou “credo, que pessoa desleixada!”????

O começo de 2014 me trouxe uma outra perspectiva sobre o nascimento do desleixo na vida de alguém, de uma casa toda. Eu não sou a pessoa mais organizada do mundo, mas meu limite é curto pra bagunça. Logo é ela ou eu. E tudo entra nos trinques em pouco tempo (pra ser bagunçado de novo… é, eu sei…). Mas bastou uma, duas, três coisas quebrarem em casa pra situação sair do controle.

Primeiro foi a geladeira. Desde que se mudou lá pra casa, ela tem problemas. Mas ficou insustentável quando ela, depois de um “conserto”, começou a congelar quase tudo dentro dela, do alface à garrafa d’água. Só se salvava a cerveja e o iogurte. Fiquei sem geladeira por um mês, mas com um congelador superpotente :/. O wifi também tava zuado, não funcionava no celular. Mas a coisa pegou quando o computador (que ainda reconhecia o sinal da internet) decidiu combater o workaholicismo e parar de funcionar a cada uma hora e meia de uso.

Viajei, esqueci desse problema caseiro que ficara pra depois, mas, quando voltei, bateu o desespero… Nada funcionava, precisaria fazer gastos não programados, fiquei puta com o cara que mexeu, mexeu e não deu um jeito na geladeira (“eu perdi uma caixa de morangos por culpa sua, seu…”). Marcavam para irem ver a bendita e o wifi e nada de o conserto aparecer. A coisa saiu tanto do eixo que, pra não enlouquecer, eu desencanei. Moveis foram mudados de lugar à força, a faxina não parecia mais necessária, a bagunça que se acumulava não incomodava nada perto daquele desarranjo todo da geladeira, da internet e do computador, itens essenciais no cafofo.

E foi então que me vi morando numa casa digna daquele “quem nunca…”. E me assustei. Entendi que o desleixo pode ser mais uma consequência do que uma opção.

 

Ano Novo 03/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano — Aline Moraes @ 10:52 AM
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Eu ia jogar os números do biscoito da sorte na Mega Sena da Virada.
Ele tinha uma mensagem muito especial, achei que poderia dar samba.
Mas acabei não jogando.
Depois que o resultado saiu, pensei em conferir se eu teria ganhado alguma coisa ou não.
“Só pra ver”. Ahan…
Mas não achei o papelzinho.
Ainda bem.
Primeira lição de 2014: algumas coisas merecem ser deixadas pra lá.
Não são importantes.
Então, deixe.

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Assim falou o juiz: “Reitoria intransigente” 10/10/2013

Filed under: Cotidiano,Mídia & Jornalismo — Aline Moraes @ 12:08 PM
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Em 2011, eu cobri a ocupação da Reitoria da USP como repórter do Jornal do Campus (jornal-laboratório feito pelos estudantes do 3o ano de Jornalismo da ECA-USP). Foi um massacre a ação da PM, não deixaram a imprensa entrar e, depois da passagem do Choque, a reitoria amanheceu totalmente destruída. Quem passou pela ocupação antes viu que não estava daquele jeito. Estudantes disseram que foram os próprios PMs que causaram os danos, depois tão altamente contabilizados e divulgados pela Reitoria, colocando os manifestantes, simplesmente, como “vândalos”. Sem necessariamente defender o recurso da “ocupação” como pressão política, o que eu quero com essa história é lembrar um passado não muito distante de repressão policial na USP e que deu merda.

Agora, os estudantes ocupam de novo, e por uma pauta principal de extrema relevância: eleições diretas para Reitor. Democracia nas Universidades. Na minha época, era a Suely Vilela. Rodas, o novo nome no poder, não foi nem o mais votado daquela listra tríplice de candidatos pré-selecionados, e mesmo assim o então governador José Serra escolheu uma figura que leva, nas costas, várias acusações de “apoiador da ditadura militar”. Pessoa non grata. Acho que a hashtag #ForaRodas é a mais usada há anos.

De novo, a postura da Reitoria é de não dialogar, chorar pro governador e querer chamar a Tropa de Choque. Mas, desta vez, surpreendentemente, o juiz pediu uma audiência de conciliação antes de decidir sobre o pedido de reintegração de posse feito pela Reitoria. Eu fui lá cobrir e, como imaginávamos, não deu em nada. A USP não cedeu nem um tiquinho. O juiz Adriano Laroca teria até hoje, quinta-feira, para tomar uma decisão (a lei manda que, depois da tentativa de conciliação, o prazo é de 48h). Saiu ontem à tarde mesmo, dia em que estudantes das Universidades Estaduais Paulistas já tinham um ato marcado na Avenida Paulista e uma outra audiência na Assembleia Legislativa de SP. E foi em clima de festa que eles marcharam até a Alesp, sem violência, sem depredação. A PM contou 1mil pessoas. O movimento, umas 2,5mil. Sem um representante da USP, a audiência foi simbólica, feita do lado de fora, com os deputados Carlos Gianazzi, Leci Brandão e Adriano Diogo apoiando o movimento estudantil e até fazendo uso da hashtag verbal: Fora Rodas!

Falar em “clima de comemoração” na manifestação de ontem não foi besteira depois que li o parecer do juiz, quando ele negou a liminar de reintegração de posse do prédio da Administração Central da USP. Leia e entenderá por quê! Sério! Dividi até o texto em subtítulos para facilitar a leitura. Vale a pena. É um reconhecimento importante para as lutas sociais no país. (more…)

 

A menina e o espelho 10/09/2013

Filed under: Comportamento,Textos meus — Aline Moraes @ 12:56 PM
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A menina falava as palavras repetidamente diante do espelho. Falava até que perdessem o sentido. E restasse apenas a palavra. Um esqueleto apenas. O nome da rosa.

Um dia, ela tambem se olhou, fixamente, ininteruptamente. Até que ela mesma virou apenas um nome. Talvez nem isso. Estava irreconhecível. De um estalo – daqueles que só temos quando esquecemos de nós mesmos e os poros todos se abrem pro mundo -, reparou naquela figura estranha.

Prescutou-a com curiosidade – quem é você??? Observou e indagou cada detalhe da desconhecida. Trocaram ideias, pensaram sobre o mundo, sobre Deus e a alma. Estava diante de si uma grande descoberta! E, então, renasceu.