Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Não pode 25/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã — Aline Moraes @ 12:34 AM
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Bater um pânico, às vezes, é normal. Imagem
Mas ter medo…
Aaah não, isso não pode.
Nunca

 

Ano Novo 03/01/2014

Filed under: Comportamento,Cotidiano — Aline Moraes @ 10:52 AM
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Eu ia jogar os números do biscoito da sorte na Mega Sena da Virada.
Ele tinha uma mensagem muito especial, achei que poderia dar samba.
Mas acabei não jogando.
Depois que o resultado saiu, pensei em conferir se eu teria ganhado alguma coisa ou não.
“Só pra ver”. Ahan…
Mas não achei o papelzinho.
Ainda bem.
Primeira lição de 2014: algumas coisas merecem ser deixadas pra lá.
Não são importantes.
Então, deixe.

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A menina e o espelho 10/09/2013

Filed under: Comportamento,Textos meus — Aline Moraes @ 12:56 PM
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A menina falava as palavras repetidamente diante do espelho. Falava até que perdessem o sentido. E restasse apenas a palavra. Um esqueleto apenas. O nome da rosa.

Um dia, ela tambem se olhou, fixamente, ininteruptamente. Até que ela mesma virou apenas um nome. Talvez nem isso. Estava irreconhecível. De um estalo – daqueles que só temos quando esquecemos de nós mesmos e os poros todos se abrem pro mundo -, reparou naquela figura estranha.

Prescutou-a com curiosidade – quem é você??? Observou e indagou cada detalhe da desconhecida. Trocaram ideias, pensaram sobre o mundo, sobre Deus e a alma. Estava diante de si uma grande descoberta! E, então, renasceu.

 

Sobre medos 05/09/2013

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã — Aline Moraes @ 4:40 PM
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I’m not affraid of time.
I fear timming.
I’m not affraid of being alone.
I fear not being in touch with myself
and finding real peace.

But you know what???? I’m not affraid of quitting fear.
“Don’t be affraid. Ever!”

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Watched today “Being Elmo”, the story about the character and it’s creator. A history about love and being fearless – although we might question, and get a little anxious and nervous sometimes… 😉

 

Take a seat, make a friend 20/08/2013

Filed under: Comportamento,Cotidiano — Aline Moraes @ 10:38 AM
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Dizem que somos todos irmãos, estamos todos conectados de alguma forma. Ao mesmo tempo, temos receio do outro, do suposto estranho. Quando vejo o prazer, a satisfação genuína que as pessoas sentem em quebrar essa barreira, faz para mim todo o sentido essa conexão metafísica. Nós queremos estender a mão em meio a essa rotina e devir loucos, e sentir a pressão de outra, que também se estendeu na mesma busca.

Se tem uma coisa que me deixa genuinamente feliz – aquela felicidade sem motivo aparente, que se faz da pura alegria de se perceber vivo e divino num mundo de pessoas vivas e divinas – é quando eu trombo com um desconhecido na rua, no metrô, na fila, trocamos algumas palavras e sorrisos, talvez até experiências e histórias, e meu coração se enche de um amor ingênuo. Não conheço aquela pessoa e, mesmo assim, sinto o amor invadindo. É dos sentimentos mais lindos, porque vem da alma (é tão melhor quando eu digo “soul”. Em português, soa piegas rs. Ok, fecha parênteses).

Já vi várias experiências de pessoas que se sentam na calçada, colocam um plaquinha e oferecem abraços, beijos, contação de histórias… Uma amiga que está viajando o mundo (atualmente, está na América Latina) fez isso para ouvir histórias do povo local sobre a História daquele país. Eu já pensei nisso. Tenho tanta vontade de perguntar “qual sua história” por aí……. Cada um de nós é um universo, dizia Raul. Imagina quanta coisa a descobrir, quanta gente pra inspirar e ser inspirado…….

Daí hoje topei com este vídeo aqui. Uma piscina de bolinha que convida a entrar com um desconhecido e sair com um amigo. Somos todos bolinhas como aquelas – e somos todos especiais!

***

 

Açaí com leite ninho, granola e uma conversa sobre um mundo dividido 24/07/2013

No Rio, açaí se come num esquema meio self-service: você paga pelo copo (300, 400, 500mL) e coloca as coberturas que quer. Imagine um pote todo de leite ninho, pra eu botar o quanto eu quisesse! Em Arraial do Cabo, mergulhamos totalmente na tarefa de colocar quanto mais coberturas extras pudéssemos. Minha atenção só ficou dividida quando ouvi uma língua estranha. Seria alemão? Holandês? Chamei a atenção do Wanja, pra ele identificar. Era alemão! E ele foi se servir de uma dose de algo familiar, depois de quase duas semanas só falando em inglês comigo e ouvindo português dos outros.

Nem sentimos o gosto do açaí. Quando vi, havíamos terminado nossos potes, mais interessados na conversa com aquele casal (eu estava conversando com a mulher – brasileira, claro!). Convidados para tomar uma breja num bar à beira-mar, fomos. Foi quase uma entrevista com Timo, o alemão (em inglês, claro!). Como não querer entrevistar a primeira pessoa que eu encontrei na vida que cresceu num país socialista????

O muro

O muro

Timo nasceu e passou sua infância e adolescência na Berlin oriental. Para ele, isso explica porque ele é uma pessoa que gesticula e sorri mais do que imaginamos do alemão comum. Os alemães do leste são assim – para os alemães (Telma, a brasileira, acha que todos continuam mais frios do que estamos acostumados rs). Timo cresceu sem as pressões do capitalismo. A fábrica onde o pai dele trabalhava era de todos. Mas ele não podia sair dali. Imaginava o outro lado do muro, pelo qual ele passava todos os dias a caminho da escola. Quando o Muro de Berlin caiu, a primeira coisa que ele fez foi pegar um carro com um amigo e atravessar aquela linha – finalmente, imaginária – sem medo de levar um tiro ou colocar o pai dele em apuros por isso.

Mas, para Timo, o muro só caiu materialmente, continua na cabeça dos alemães. Ainda existe um preconceito entre os do leste e os do oeste. Estes não quiseram aprender o que aqueles já sabiam. Assumiam que, do socialismo, nada prestava. Quando eles quiseram reformar o sistema educacional alemão e foram à Finlândia aprender com eles – diz Timo -, ao chegarem lá os finlandeses perguntaram “Tem alguém aí da Alemanha oriental?”. Havia (acho que um parente de Timo, que era professore fazia parte da comissão). E então os finlandeses disseram “Então porque vocês vieram até a gente? Perguntem a eles!”. Bem antes disso, o leste já aplicava os princípios educacionais nórdicos.

Não sei se essa história é verdade, mas foi o que Timo me contou para exemplificar como nem tudo no socialismo era ruim, e como eles eram vistos naquele momento da História, de suposta reintegração. O leste foi engolido pelo capitalismo e Timo procurou aplicar na sua vida os valores que ele aprendera na juventude, com seu país (que hoje não existe mais) e com seus pais. Não queria se deixar engolir também.

Hoje, ele mora em Potsdam, vizinha de Berlin e que pertencia à República Democrática da Alemanha, no lado leste. Faz questão de estar em solo familiar. Engenheiro civil, ele tem um escritório de engenharia e arquitetura com uma bela vista para um lago da cidade. Emprega cerca de 20 funcionários e incentiva a interação de todos eles, para criar um ambiente de trabalho e de convivência saudáveis. E se chega uma moça, por exemplo, de vinte e poucos anos, sem filhos, pedindo emprego, ele não a contrata. Dá preferência a outra, também qualificada, que tenha filhos pequenos. Ele sabe que será difícil para ela conseguir emprego em outro lugar. Se ela precisa trabalhar meio período para ficar com o filho em casa, eles negociam um horário flexível no escritório.

Essa é a filosofia de Timo, que ele herdou do seu passado, da sua família. “Meus pais lutaram juntos por um mundo melhor. E é o que eu faço”. Pensei que queria ter conhecido seus pais e sua infância num mundo que se fechou para o resto (ou que foi fechado pelo resto), mas que acreditava na igualdade. Pensei que aquela brasileira do Rio que estava sentada com a gente à mesa teve muita sorte em encontrar alguém com a filosofia de Timo para partilhar a vida e os anseios. E eu pensei que casamento deve ser isso: uma parceria que inspire a construir um mundo melhor.

Pela primeira vez na minha vida, acreditei na ideia de casamento. Se um dia essa parceria surgir, talvez meu pai me veja de vestido caminhando até algum altar – qualquer um. E, com essa conversa, minhas ideias a respeito se pacificaram e meu peito se encheu de esperança no amor, na vida, no mundo. Mais doce que açaí com granola e leite ninho.

 

Dicionário até os 12 06/06/2013

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Cultura,Divã — Aline Moraes @ 11:55 PM
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O branco é uma cor que não pinta.
Céu é de onde sai o dia.
Guerra é gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz.
Igreja é onde a pessoa vai perdoar Deus.

Você daria essas definições às palavras “branco”, “céu”, “guerra” e “Igreja”? Não. Você certamente pensaria tanto antes de dar uma resposta que ela sairia chata e banal. Mas as crianças – por mais que eu não goste delas, em geral – têm essa capacidade linda de não racionalizar e, contudo, serem tão profundas, e captarem aquilo que não entendemos, ou que temos medo de entender. “Igreja é onde a pessoa vai perdoar Deus”, olha que definição fantástica!!!! Eu nunca pensaria nisso, nem você. Se faz sentido? Também não sei, mas que é interessante, é. Dá pra ganhar muito tempo pensando nisso… Perdoar Deus…

Essas e outras definições vieram de dez anos de trabalho de um professor colombiano, que começou a anotar as as repostas de seus alunos para as coisas mais banais, as quais, na visão dos adultos, nem precisam de definição. Mais do que ficar com vontade de ler o livro “Casa das Estrelas” – que foi relançado na última Feira do Livro de Bogotá, capital da Colômbia -, fiquei é a fim de sair por aí perguntando para um monte de criança um monte de definições. Felicidade seria minha cobaia. Quem sabe, assim, eu entenderia melhor o mundo dos adultos

Ah, a matéria da BBC sobre o livro: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130518_dicionario_criancas_colombia_aw_cc.shtml.