Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Saiba empregar o Saudosismo 12/01/2013

“(…) não há bons tempos, só há tempos. Nada de saudosismo, saudosismo é uma espécie de masturbação sem verdadeiro prazer, uma inutilidade atravancadora, que no máximo pode ser empregada para brincadeiras, mas geralmente é perda de tempo. Não, nada disso. Aqueles tempos tinham seu charme, mas eram duros também, cada tempo tem sua dureza, com mil perdões pela filosofia de botequim.”

CLB (ou João Ubaldo Ribeiro, em “A Casa dos Budas Ditosos”)

 

Does that make me hopeful? Probably 27/11/2012

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã,Frases que viram posts,Intercâmbio — Aline Moraes @ 1:33 AM

Hoje a noite, a bordo do 107T- Tucuruvi, observava as luzes da Augusta enquanto ouvia, inocentemente, a música

I remember when I lost my mind
There was something so pleasant about that place
Even your emotions have an echo in so much space

And when you’re out there without care
Yeah, I was out of touch
But it wasn’t because I didn’t know enough
I just knew too much.

Does that make me crazy???”

Era Gnarls Barkley na voz de Ben L’Onlce Soul, cantando alegremente sobre a perdição. De repente, minha mente entendeu e meu coração sentiu. É isso!

“And I hope that you are
Having the time of your life
But think twice
That’s my only advice

Come on now, who do you
Who do you think you are?
Ha ha ha, bless your soul
You really think you’re in control?”

Pela primeira vez na minha vida no Brasil – vida normal, dia a dia, família, responsabilidades, longo prazo – eu estou vivendo a música. Crazy mesmo. Exposta. No limite. Difícil manter o controle. Mas isso eu já havia admitido. A diferença é que, na intensidade daquele Soul, eu entendi que as crises, as contradições, as dúvidas são proporcionais à gana com que vivemos. Eu tenho sofrido mais, mas experimentado mais, me descoberto mais, me conhecido mais (apesar de não entender).

E ao som da música “Crazy”, com a reflexão da noite e um certo alívio no peito, eu declaro a minha palavra para 2013: EQUILÍBRIO. Certa de que ele não se alcança sem conflitos. Equilíbrio não é estático.

“If you want harmony in colour, you could paint it all one colour. But you want to give expression to many colours, many facets, many tones, and so you have to work harder, use your intuition to bring them all into a state of equilibrium. Equilibrium is not static.” Benjamin Creme

* * *

 

É in-con-di-cio-nal 15/09/2011

Filed under: Cotidiano,Frases que viram posts — Aline Moraes @ 2:42 AM

Felicidade pura e sincera
faz até o piano mal tocado na estação encher o coração de sorrisos
atrai boas energias e dispensa pedir licença à moça parada no lado esquerdo da escada rolante
ouve conversa alheia no vagão lotado como se fosse um conto de Machado
puxa papo com o senhorzinho que divulga seu próprio livro de poesia entre uma viagem e outra
incentiva os olhos a sorrirem gratuitamente numa circunstância rotineira
e se escancara, sobretudo, quando não há nenhuma razão aparente pra se sentir feliz
Simplesmente porque se é
In-con-di-cio-nal-men-te

* * *

“Você sorriu hoje?… Não???
Então sorria e… ‘Tenha fé’
Mesmo que seja ‘pequena’
E seu sorriso seja triste…
Pois mais triste que um sorriso triste
É a tristeza de viver sem fé
E não saber sorrir (…).”

Por Limoeiro Ramon, o tiozinho do metrô

 

Roupa do passado. Não passada, mas impecavelmente guardada 16/01/2011

Filed under: Cotidiano,Frases que viram posts,Intercâmbio — Aline Moraes @ 10:54 PM

“E o passado é uma roupa que não nos serve mais.”

Essa frase faz parte da letra de uma música do Belchior, Velha Roupa Colorida. Mas não foi por causa da tal canção que descobri essas palavras. Enfim, as circunstâncias não importam muito. Mas há quanto tempo importa. Faz quase um ano. Importa porque, só agora é que eu acho que compreendi a importância de reconhecer essa frase.

No ano passado, de Setembro a Dezembro, me vi muito apegada às lembranças. Toda vez em que me sentia triste ou solitária, eu tomava uma carona na memória e me perdia relembrando momentos com amigos, família, ex namorados… Parecia bastante reconfortante, mas depois de um tempo começou a me atrapalhar. Parecia que eu não vivia o presente direito. O passado virou uma espécie de muleta e eu fiquei um pouquinho manca no meu andar por aqui. Saquei, então, que eu estava fazendo isso pra me fazer lembrar da Aline que deixou o Brasil há quase 5 meses atrás. Fazer isso me dava a impressão de manter o tempo congelado para ele voltar a tic-tac-quear a partir daquele ponto (ou de algum outro ponto do passado) quando eu voltar pro meu País-lar. Que besteira…
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De partida… 26/07/2010

Filed under: Divã,Frases que viram posts,Intercâmbio — Aline Moraes @ 12:01 AM
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Para os poucos que me leem, ou para mim mesma apenas – que seja -, escrevo este post para marcar uma nova etapa na minha vida de 23 anos. A partir daqui, escreverei direto da Inglaterra, país que será minha morada pelos próximos 12 meses.

Já tentei por diversas vezes escrever como me sinto às vésperas de partir e de, com a partida, realizar um sonho de muitos, muuuitos anos. Achei que escreveria quando recebi a resposta da ONG onde vou trabalhar. Nada. Talvez quando o visto saísse. Saiu e as palavras não… Não consigo. São muitos sentimentos envolvidos e, confesso, pouco vontade de defini-los. Acho que nem dá. A ficha não caiu direito ainda…

Então, achei uma outra forma de me expressar: chupinhando o trecho de um livro. As pessoas abusam de citações, eu sei. E não, eu não quero pagar de inteligente com essa não… Mas essas palavras cabem e, por isso, é com elas que eu fecho esse ciclo da minha vida, pós defesa de TCC, pós cirurgia para corrigir miopia, pós arritmia registrada no eletrocardiograma, pós muito chororô e reflexões e experimentações e pacificações. Parto sem arrependimentos e de peito aberto.

Aos meus querid@s amig@s e familiares, obrigada por me apoiarem e percorrerem comigo o tortuoso caminho até a realização desse sonho. Aconteça o que acontecer do outro lado do Atlântico, esta Aline terá um “A” ainda mais maiúsculo!


* * *

 


“Então, as portas de seu coração abriram-se, e sua alegria voou longe sobre o mar.
E, fechando os olhos, orou no silêncio de sua alma.

Mas ao descer o monte, foi invadido pela tristeza e pensou no seu coração:
Como poderei ir-me em paz e sem pena?

Não, não será sem um ferimento na alma que deixarei esta cidade.

Longos foram os dias de amargura que passei dentro de suas muralhas, e longas as noites de solidão;
e quem pode despedir-se sem tristeza de sua amargura e de sua solidão?
Muitos foram os pedaços de minha alma que espalhei nestas ruas,
e muitos são os filhos de minha ansiedade que caminham, desnudos, entre estas colinas,
e não posso abandoná-los sem me sentir oprimido e entristecido.

Não é uma simples vestimenta que dispo hoje, mas a própria pele que arranco com minhas mãos.
Nem é um mero pensamento que deixo atrás de mim, mas um coração enternecido pela fome e a sede.
Contudo, não posso demorar-me por mais tempo.
O mar que chama a si todas as coisas está me chamando, e devo embarcar.
Pois permanecer aqui, enquanto as horas queimam-se na noite,
seria congelar-me e cristalizar-me num molde.

De bom grado levaria comigo tudo o que está aqui. Mas, como poderei fazê-lo?
A voz não leva consigo a língua e os lábios que lhe deram asas.
É isolada e é também só e sem ninho que a águia voará rumo ao sol.”

(Gibran Khalil no livro O Profeta)

 

Até breve!

 

Do que são feitas as pessoas? 13/05/2010

“Todas essas buscas, todos esses mundos… Podemos ser tão semelhantes e viver em universos tão distantes? É possível que partilhemos o mesmo frenesi, nós que não somos do mesmo solo nem do mesmo sangue e da mesma ambição?”

Hoje, depois de ler esse trecho do livro A Elegância do Ouriço, relembrei momentos dos últimos dias e me peguei pensando: sim, do que são feitas as pessoas? O que verdadeiramente nos une e o que criamos para nos separar?

Estou participando de um grupo de leitura e discussão do livro Um mês para viver. São umas 10 pessoas que leem um capítulo por dia e depois refletem juntas sobre o que aquelas palavras querem dizer e como elas podem nos transformar. São pessoas tão diferentes. A maioria religiosa. Eu ainda cheia de dúvidas. Alguns moram juntos. Outros nunca se viram na vida. A maioria é estrangeiro – alguns saíram de sua cidade para estudar em São Paulo, outros deixaram o México para fazer intercâmbio no Brasil. E eu estou de partida para ser estrangeira também.

Todos tão diferentes e reunidos ali, juntos, para refletir sobre a vida, destilar as angústias e compreender por que estamos aqui e como aproveitar melhor o nosso tempo. Cada um com sua busca. E vou percebendo que, mesmo com esforço, é difícil apr0ximar universos quando somos tão egoístas por natureza. Porque é realmente custoso e doloroso se reconhecer naquilo que não reflete nossa imagem. Mas acho que, quando conseguimos, e aí que partilhamos do mesmo frenesi sobre a vida.

“É preciso que alguma coisa acabe, é preciso que alguma coisa comece”. Que acabe o medo e que comece a confiança. Talvez assim a gente consiga responder a essas perguntas e encontrar a plenitude de ser o que somos e de deixarmos ser.

 

“Melhor conselho que recebi na vida” 20/04/2010

Há algum tempo atrás, a revista Época fez um especial com conselhos que importantes personalidades receberam na vida e fizeram uma espécie de “guia de auto ajuda“. Não sou fã desse tipo de matéria. Não agrega muita coisa, toma um monte de páginas que podiam ser aproveitadas para noticiar coisas mais importantes ocorridas na semana. Talvez agrade aos anunciantes, mas, enfim…. Fizeram. Como dizem, “se conselho fosse bom, a gente vendia”. Talvez essa edição da revista tenha vendido bastante… Enfim(2)….

Apesar de ter falado mal, sim,  eu li a matéria. Na época, eu era estagiária lá e lia a revista de cabo a rabo, para ficar a par do que a revista deu na semana. Lembro que não li todos os “conselhos”. Fui atrás de personalidades que me interessavam mais (nada de Eike Batista nem Ivete Sangalo!). Folheei, folheei até que “opa!”, dei de cara com o Marcelo Gleiser. Resolvi ver qual conselho ele tinha a dar para mim. E olha, foi um conselho válido. Bem válido para quem está na casa dos 20 e poucos anos (ô fase difícil!). Achei que valia publicá-lo aqui. A matéria na íntegra está no site da Época (mas não vou publicar o link não, pra não estimular rsrs).

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