Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

A menina e o espelho 10/09/2013

Filed under: Comportamento,Textos meus — Aline Moraes @ 12:56 PM
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A menina falava as palavras repetidamente diante do espelho. Falava até que perdessem o sentido. E restasse apenas a palavra. Um esqueleto apenas. O nome da rosa.

Um dia, ela tambem se olhou, fixamente, ininteruptamente. Até que ela mesma virou apenas um nome. Talvez nem isso. Estava irreconhecível. De um estalo – daqueles que só temos quando esquecemos de nós mesmos e os poros todos se abrem pro mundo -, reparou naquela figura estranha.

Prescutou-a com curiosidade – quem é você??? Observou e indagou cada detalhe da desconhecida. Trocaram ideias, pensaram sobre o mundo, sobre Deus e a alma. Estava diante de si uma grande descoberta! E, então, renasceu.

 

Cubo mágico 02/11/2012

Filed under: Cotidiano,Textos meus — Aline Moraes @ 10:44 AM

Deixei o cubo mágico intacto
– e resolvido
sobre a prateleira.
Acordei com o cubo virado,
tudo misturado.
A alegoria do ano vivido…

Quisera eu fosse apenas um cubo mágico.
Era só aprender logaritmo e tava tudo certo.

 

Beatniks 01/11/2012

Filed under: Textos meus — Aline Moraes @ 12:00 AM

Eles estavam cansados. De si mesmos. E foram too far. Acho que, no fim, não se encontraram. Ninguém se encontra nos extremos. Mas experimentaram e viveram e sentiram. Mesmo perdidos. Aristóteles, me ensine o caminho do meio termo! Porque eu estou tendendo a ser “beat”. Mesmo sem o talento da prosa e da poesia. Só estas palavras.

 

Só. Seu 03/10/2012

Filed under: Divã,Textos meus — Aline Moraes @ 12:15 AM

Será / que eu vou ter medo do escuro / e de barulhos estranhos / ou do silêncio de estar ? //

Vou lá / abrir a porta pra’quele par de um habitar / falar sozinha para não deixar entrar / esse silêncio de estar . //

Não é mau / é só o barulho da vida nova / da vida que não cabia mais com os pais / e que não cabe mais em si. . //

Abra a janela / a porta da geladeira / espie no forno do fogão / sinta seu cheiro no lençol / e reconheça você ali à beça. //

seu / pra deixar o Outro entrar. //

 

Diálogo 29/02/2012

Filed under: Divã,Textos meus — Aline Moraes @ 9:16 PM
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“Prova minha boca

no teu ouvido”
*  

ela, em silêncio,
*  

e ele, atento…

 

Nem “pelo”, nem “para, nem “por” 03/02/2012

Filed under: Divã,Textos meus — Aline Moraes @ 7:17 PM
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Que inebriante é estar feliz por um novo amor

Pelo emprego conquistado depois de meses desempregado

Pelo nome na lista de aprovados no vestibular

Pelo novo corte de cabelo, visual repaginado

Pelo carro zero saído da agência, cheirando a novidade

Pela chave da casa própria, depois de anos de aluguel

Pelo filho que acabou de chegar ao mundo

Pelo nocaute numa doença séria

Por pousar no destino dos sonhos

Por realizar aquela loucura de juventude

Pela festa de quinze anos

Pelo primeiro beijo – e a primeira transa

Vale a pena ser feliz por tudo isso

e muito mais. Muito mais!

Mas acho que não há felicidade mais pura

do que aquela que não tem “pelo”

nem “para”, nem “por”, nem porquê.

Só aquele sorriso fácil de manhã.

 

Partilhando balões 25/07/2010

Filed under: Divã,Intercâmbio,Textos meus — Aline Moraes @ 10:23 PM
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Não consigo conceber pessoas que não sonhem. No que elas pensam quando acordam? O que elas veem quando fecham os olhos? Que horizonte elas desenham? O que sentem pelo dia seguinte?

Claro, não acredito que devamos viver apenas para nossos sonhos, que geralmente são coisas altas, grandiosas (até demais). Afinal, nossa vida é feita também (aliás, principalmente) dos pequenos e discretos acontecimentos do cotidiano, no bom e velho “um dia de cada vez”. Viver só de sonhos e apenas para os sonhos seria passar o tempo todo em degraus… Mas perseguir (com a devida certeza) o sonho fortalece-nos, faz-nos crescer, aprender, questionar-se, olhar-se, entender-se um pouco melhor.

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