Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Do que são feitas as pessoas? 13/05/2010

“Todas essas buscas, todos esses mundos… Podemos ser tão semelhantes e viver em universos tão distantes? É possível que partilhemos o mesmo frenesi, nós que não somos do mesmo solo nem do mesmo sangue e da mesma ambição?”

Hoje, depois de ler esse trecho do livro A Elegância do Ouriço, relembrei momentos dos últimos dias e me peguei pensando: sim, do que são feitas as pessoas? O que verdadeiramente nos une e o que criamos para nos separar?

Estou participando de um grupo de leitura e discussão do livro Um mês para viver. São umas 10 pessoas que leem um capítulo por dia e depois refletem juntas sobre o que aquelas palavras querem dizer e como elas podem nos transformar. São pessoas tão diferentes. A maioria religiosa. Eu ainda cheia de dúvidas. Alguns moram juntos. Outros nunca se viram na vida. A maioria é estrangeiro – alguns saíram de sua cidade para estudar em São Paulo, outros deixaram o México para fazer intercâmbio no Brasil. E eu estou de partida para ser estrangeira também.

Todos tão diferentes e reunidos ali, juntos, para refletir sobre a vida, destilar as angústias e compreender por que estamos aqui e como aproveitar melhor o nosso tempo. Cada um com sua busca. E vou percebendo que, mesmo com esforço, é difícil apr0ximar universos quando somos tão egoístas por natureza. Porque é realmente custoso e doloroso se reconhecer naquilo que não reflete nossa imagem. Mas acho que, quando conseguimos, e aí que partilhamos do mesmo frenesi sobre a vida.

“É preciso que alguma coisa acabe, é preciso que alguma coisa comece”. Que acabe o medo e que comece a confiança. Talvez assim a gente consiga responder a essas perguntas e encontrar a plenitude de ser o que somos e de deixarmos ser.

 

Capitães do próprio mundo 22/03/2010

Ser capitã desse mundo / Poder rodar sem fronteiras / Viver um ano em segundos / Não achar sonhos besteira

Nunca ouvi essa música da Maria Gadú até o fim porque o primeiro verso me irritava com o tal “Shimbalaiê”. Não curto essas palavras inventadas sem sentido (na verdade, eu gosto de “Avohai” – mas porque eu acho que tem sentido. Pode ser que a dela tenha também e eu não saquei, enfim…). Mas hoje, ao dar aquela fuçada básica em perfis de orkut semi-desconhecidos, me deparei com esta frase, bonita, que piscou pra mim: “Poder rodar sem fronteiras, não achar sonhos besteiras”. Dei um Google ainda mais básico e me surpreendi quando vi que essa frase vinha, exatamente, depois do Shimbalaiê que eu nunca consegui atravessar…

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