Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

A Fé, a religião e os ateus 15/11/2011

Diálogo entre uma ateia e um evangélico, publicado hoje na coluna da Eliane Brum, na revista Época:

– Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
– Por que as boas ações não salvam.
– Não?
– Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.

Minha família é da Congregação Cristã do Brasil. Mas eu nunca fui batizada. Felizmente, o batismo, lá, só pode acontecer a partir dos 12 anos. Eu nunca demonstrei vontade de me batizar e minha mãe, graças a Deus (mesmo!) nunca me obrigou. Eu não queria ser parte de uma congregação que prega que mulheres não podem usar calça comprida, nem cortar o cabelo ou pintar as unhas. Nas vezes em que participei de um culto, com a minha avó, nunca tirei o esmalte antes de entrar e, indo direto da escola, ia de calça comprida mesmo. E não continuei, entre outro motivos, porque não suportava não ser aceita sem saia e de unha pintada num ambiente que deveria ser o templo da tolerância.

Mas eu acredito em Deus, porque acredito que deve haver algo antes do Big Bang. Algo maior que nós e que a própria Ciência. Mas algo que, ao mesmo tempo, é a própria Ciência. E a humanidade. Hoje, sinto a paz de acreditar num Deus que não me salvará. Num Deus que não coloca o dedo em tudo, arbitrariamente. Num Deus que está dentro de mim e de você e do outro. Mas, por muitos anos, estive em conflito com a ideia de Deus. Nunca duvidei Dele, pois cresci num universo cristão e nunca tive uma referência ateia, mas duvidei muitas e muitas vezes das definições de Deus.

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Fé na Ciência – qual é a sua fé? 02/12/2009

Filed under: Ciência,Frases que viram posts — Aline Moraes @ 1:24 AM
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Post escrito um mês depois de terminar a biografia da Madame Curie…

Você já ouviu falar na Madame Curie, grande física, mãe do elemento rádio? Descobri na casa do Vitor uma biografia dela e resolvi ler, pra descobrir a pessoa por trás das experiências científicas. Adorei o livro. Devorei as suas 329 páginas em menos de um mês. A filha dela, Eva Curie, até que escreve bem! E a história dessa cientista é uma prova de amor à Ciência.

Aprendi muito lendo esse livro. E não só sobre o mundo científico. Aprendi sobre a vida nos tempos de guerra, sobre sofrer para ser grande.

Várias passagens desse livro mereciam ter sido anotadas, mas eu ainda não tenho esse costume. Preciso adquiri-lo, sinto falta das citações. Uma delas, sobre , é fantástica. Resolvi procurá-la e registrá-la aqui. Merece. “Reli” as páginas do livro umas 3 ou 4 vezes até encontrar!

“Pouco importa em que Deus um homem crê. É a fé, e não o Deus, que faz os milagres”.

Quem proferiu essa frase foi Henri Poincaré, outro importante físico, durante o enterro de Pierre Curie, marido de Madame Curie. Para Pierre, seu Deus era a Ciência, e foi a sua fé nela que o permitiu revolucioná-la ao lado de Madame Curie no final do século XIX.