Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Dicionário até os 12 06/06/2013

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Cultura,Divã — Aline Moraes @ 11:55 PM
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O branco é uma cor que não pinta.
Céu é de onde sai o dia.
Guerra é gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz.
Igreja é onde a pessoa vai perdoar Deus.

Você daria essas definições às palavras “branco”, “céu”, “guerra” e “Igreja”? Não. Você certamente pensaria tanto antes de dar uma resposta que ela sairia chata e banal. Mas as crianças – por mais que eu não goste delas, em geral – têm essa capacidade linda de não racionalizar e, contudo, serem tão profundas, e captarem aquilo que não entendemos, ou que temos medo de entender. “Igreja é onde a pessoa vai perdoar Deus”, olha que definição fantástica!!!! Eu nunca pensaria nisso, nem você. Se faz sentido? Também não sei, mas que é interessante, é. Dá pra ganhar muito tempo pensando nisso… Perdoar Deus…

Essas e outras definições vieram de dez anos de trabalho de um professor colombiano, que começou a anotar as as repostas de seus alunos para as coisas mais banais, as quais, na visão dos adultos, nem precisam de definição. Mais do que ficar com vontade de ler o livro “Casa das Estrelas” – que foi relançado na última Feira do Livro de Bogotá, capital da Colômbia -, fiquei é a fim de sair por aí perguntando para um monte de criança um monte de definições. Felicidade seria minha cobaia. Quem sabe, assim, eu entenderia melhor o mundo dos adultos

Ah, a matéria da BBC sobre o livro: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130518_dicionario_criancas_colombia_aw_cc.shtml.

 

Herança 30/04/2010

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 5:02 PM
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Apaixonei-me por uma criança hoje. Isso mesmo. Foi coisa rápida. No tempo entre algumas estações de metrô.

Eu não sou fã de crianças. Já fui. Até os 15 anos eu poderia ter sido babá. Afinal, em festinhas e em finais de semana no sítio, eu brincava e cuidava dos filhos dos outros de graça e bom grado. Mas, de repente, um dia, cansei. Perdi a paciência e nunca mais a encontrei. No máximo por cinco minutos. Daí em diante eu me recordo de que não sei onde a paciência está e devolvo a criança para os pais. Alguns dizem que eu sou má (rs) e que nunca terei filhos. Outros, que eu estou reservando energia e “saco” para os meus… Sei lá.

Só sei que, hoje, foi bonito ver aquele menino moreninho, de uns 5 anos, óculos de grau, cabelinho raspado e roupa de frio meio engomadinha.  Ele estava tão empolgado com alguma coisa (eu não consegui ouvir o que era), mexia as mãos, os braços, sentava de um lado, apontava para o outro. Devia estar contando alguma aventura da escola, ou imaginando outras.

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Burocracia para crianças 23/04/2010

Filed under: Comportamento,Cotidiano — Aline Moraes @ 9:51 PM
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O homem de uns 40 e poucos anos entrou na fila indignado. “Como assim tem que fazer carteirinha para entrar na Biblioteca?!!!” Ele só queria dar um passeio com sua filhinha de 4 anos em meio a pufs coloridos, computadores e um monte de livros. Sua indignação ficou pior quando minha mãe perguntou se ele havia trazido comprovante de residência. “Precisa, é??? Não acredito numa coisa dessas…”

No feriado de Tiradentes, o Parque da Juventude (onde ficava o Carandiru) estava lotado. E a Biblioteca de São Paulo virou atração turística. Um bocado de gente querendo entrar para ver esse espaço de primeiro mundo construído em plena terceira divisão! O prédio retangular e comprido, com vidros estilisados na fachada e uma decoração colorida, chama a atenção de quem nunca viu uma biblioteca desse jeito na vida. Com cara de livraria, mas onde tudo é de graça. É nosso.

Além do pai meio careca com sua filha de 4 aninhos, estava eu e minha mãe, um casal de jovens namoradas, uma moça de chinelas gastas carregando um bebê no colo e sua filha ao lado, um grupo de “japas” idosos, mais duas amigas descoladas. E mais algumas pessoas que não lembro como descrevê-las. A fila não era muito grande, mas não andava nunca. Algumas pessoas até desistiram no meio do caminho…

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