Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

The Londoner 12/01/2013

Filed under: Intercâmbio,London — Aline Moraes @ 9:00 AM
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Eu me identifiquei com muito do que essas placas dizem sobre ser um Londoner… Sem afetação, é que é verdade. Porque eu morria de medo de perder meu Bilhete Único (o Oyster Card). Porque, lá, minha vida cultural era muito intensa. Porque eu amava os pubs. Porque era gostoso tomar café naqueles copinhos tipo Starbucks enquanto seguia de metrô pela cidade. Porque eu me vestia como eu queria, misturava tudo, sem medo. Porque uma lugar como aquele fica no coração da gente… KEEP CALM and ENJOY THE MEMORIES!

 

Meu segundo intercâmbio 06/12/2011

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã,Intercâmbio — Aline Moraes @ 7:29 PM
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Não, eu não voltei para Londres, nem estou de partida para a Alemanha ou algum lugar da África. Meu segundo intercâmbio é no Brasil mesmo. Em São Paulo mesmo. Na minha casa mesmo. Um intercâmbio é feito de DUAS migrações: a de ida e a de volta – explica a psicóloga especializada nisso, Andréa Sebben, no livro “Intercâmbio cultural: para entender e se apaixonar”. E o mais engraçado é como esses dois processos se parecem. As crises, as dificuldades e até as forças vêm do mesmo lugar, ainda que em circunstâncias diferentes. E concordo com a autora quando ela diz que a fase de retorno pode ser ainda mais difícil.

Eu me culpo, sinto-me até envergonhada, por sofrer, no meu próprio país, aquela mesma solidão, a mesma dificuldade em conquistar meu espaço. Ser estrangeiro na sua terra natal não é fácil. Na verdade, chega a ser doloroso. Porque não se trata de se descobrir num lugar novo. Tudo parece estar como antes. Você tem que descobrir, na verdade, como encaixar seu “NOVO EU” num mundo velho e tão conhecido, mas que te parece, ao mesmo tempo, tão hostil às suas mudanças e necessidades.

A boa notícia: se eu consegui overcome isso lá, consigo aqui também. A má notícia: se lá esse processo foi lento e doloroso, aqui não será diferente…
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O dia em que eu (quase) conheci Brian May e Roger Taylor 03/12/2011

Filed under: Cotidiano,Intercâmbio,London — Aline Moraes @ 5:50 PM
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Ano passado, comemorou-se 40 anos desde o surgimento da minha banda favorita: Queen. Rolou uma exposição numa galeria em Brick Lane, um dos endereços mais descolados de Londres, e eu fui lá conferir (veja post).

Na saída, eu e o segurança engatamos uma conversa. Ele, um negão de, pelo menos, um metro e oitenta, que perguntou se eu curti a exposição. Disse que percebeu que eu fiquei horas lá dentro – e foi mesmo. Papo vai, papo vem, comentei que seria super bacana encontrar o Brian e o Roger lá. O segurança me disse que, na inauguração, eles estavam lá, mais um monte de gente famosa e algumas pouco famosas, mas que chamaram a atenção, como a namorada do guitarrista do Rolling Stones, uma brasileira que tem, pelo menos, um terço da idade dele. Falamos, claro, sobre o fato de eu ser brasileira (assunto inerente a qualquer conversa na Europa) e eu perguntei se eles – o Brian e o Roger – não iriam à exposição de novo.

Eu os teria visto assim, de cabelo branquinho, e de pertinho, se não fosse a festinha na quinta à noite em casa...

Aí, o segurança desceu dos seus quase 2 metros de altura e falou num tom de segredo: “Então, eles virão semana que vem. Querem chegar bem cedo pra curtir a exposição sem serem incomodados… Mas e daí se eles chegarem e você estiver aqui, passando, como quem não quer nada? Só não diga que fui eu quem avisou, ok?”. O segurança – Paul é o nome dele -até  pegou meu número de celular e deu um toque no meu, pra eu ter o número dele também. Disse que me ligaria. E assim eu fui embora, num final de semana meio cinzento (pra variar), mas cheio das cores do Queen e da exposição.
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Dançando, a alma fala – e o meu retorno ao Brasil 20/10/2011

Oxalá, axé, Ogum. Exu, Ossanha, Iemanjá. Mary não acreditou que eu conhecia essas palavras. “Isso é Ioruba!”, ela exclamou, no tom típico de africanos falando inglês: em alto e bom sotaque. Estávamos na fila de espera do hospital com uma das minhas service users. Mary era funcionária de um projetos da Outward, a ONG onde trabalhei durante meu ano morando em Londres.

Mesmo em Londres, lá estava a minha famosa peruca "black power", pra não negar minhas raízes afro

Não lembro como começou essa conversa. Só lembro que passei a citar nomes comuns, para mim, na cultura baiana e ela reconheceu de onde eles vêm: de uma das zilhões de línguas/dialetos falados na Nigéria, pelo segundo maior grupo étnico do país, o Yorùbá. Mary não sabia o quão importante a cultura africana é pra cultura brasileira. Ficou fascinada com tamanha proximidade. Achei que os africanos sabiam disso…
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