Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

The Londoner 12/01/2013

Filed under: Intercâmbio,London — Aline Moraes @ 9:00 AM
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Eu me identifiquei com muito do que essas placas dizem sobre ser um Londoner… Sem afetação, é que é verdade. Porque eu morria de medo de perder meu Bilhete Único (o Oyster Card). Porque, lá, minha vida cultural era muito intensa. Porque eu amava os pubs. Porque era gostoso tomar café naqueles copinhos tipo Starbucks enquanto seguia de metrô pela cidade. Porque eu me vestia como eu queria, misturava tudo, sem medo. Porque uma lugar como aquele fica no coração da gente… KEEP CALM and ENJOY THE MEMORIES!

 

O novo papo de elevador do paulistano 10/01/2013

Filed under: Comportamento,Cotidiano,London — Aline Moraes @ 8:49 AM
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Uma das características típicas do jeito inglês de ser é o small talk sobre o tempo. Aquela conversa fiada que jogamos com estranhos ou semi-conhecidos quando não temos nada melhor a dizer, só para quebrar o gelo (mas sem quebrar muito). Justifica-se os ingleses falarem tanto do céu, da chuva, do frio porque lá o clima é uma porcaria mesmo. É algo que incomoda (ou que surpreende ao se deparar com um céu de brigadeiro em Londres). O problema é que eles SEMPRE falam do tempo. Virou nhem nhem nhem de ponto de ônibus, de estação de metrô, de fila do supermercado…

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Oi? Grande gesto? Babe, isso é obrigação!

Aqui em São Paulo a gente também costuma falar bastante do tempo, afinal também não somos muuuuito abençoados por aqui, onde faz ou muito frio, ou muito calor, ou chove muito… Mas percebi que, ultimamente, nosso small talk de cada dia mudou de temática. Agora, o assunto preferido é o… transporte público! Pelo menos para quem o utiliza, que é o meu caso. Não tem um dia em que eu não encontre um colega no metrô ou no trem e o tema não surja para engatar uma conversa. É o vagão lotado, a burrice de quem não espera os outros saírem para entrar, o corredor abarrotado de gente tentando (só tentando) andar mais rápido para fazer a conexão com o trem… É sempre assim.

Acho que, hoje em dia, é o que mais me incomoda na cidade. Eu mesma entabulo esse tipo de papo por aí. Se tá chovendo? Se caiu o mundo? Ahhh… agora eu só falo nisso se tiver alagado a linha do trem. Ou se uma anta tiver esbarrado em todo mundo com seu guarda-chuva encharcado. São Pedro ficou em segundo plano. Qual o santo do transporte público mesmo???

 

Herança 30/04/2010

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 5:02 PM
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Apaixonei-me por uma criança hoje. Isso mesmo. Foi coisa rápida. No tempo entre algumas estações de metrô.

Eu não sou fã de crianças. Já fui. Até os 15 anos eu poderia ter sido babá. Afinal, em festinhas e em finais de semana no sítio, eu brincava e cuidava dos filhos dos outros de graça e bom grado. Mas, de repente, um dia, cansei. Perdi a paciência e nunca mais a encontrei. No máximo por cinco minutos. Daí em diante eu me recordo de que não sei onde a paciência está e devolvo a criança para os pais. Alguns dizem que eu sou má (rs) e que nunca terei filhos. Outros, que eu estou reservando energia e “saco” para os meus… Sei lá.

Só sei que, hoje, foi bonito ver aquele menino moreninho, de uns 5 anos, óculos de grau, cabelinho raspado e roupa de frio meio engomadinha.  Ele estava tão empolgado com alguma coisa (eu não consegui ouvir o que era), mexia as mãos, os braços, sentava de um lado, apontava para o outro. Devia estar contando alguma aventura da escola, ou imaginando outras.

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Noite de luto 05/03/2010

Filed under: Cotidiano,Mídia & Jornalismo — Aline Moraes @ 11:32 PM
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Hoje eu saí mais cedo do trabalho. O trânsito flui, mesmo num fim de tarde de sexta-feira. Maravilha! Ao chegar à estação Marechal Deodoro do Metrô, uma muvuca… o trem às escuras, abarrotado de gente. Tá, vamos esperar. Todo mundo reclamando. Tava calor ali embaixo da terra.

Uma voz ecoa pela plataforma: usuário na via, na estação Belém, linha vermelha – a mesma em que eu estava. Muito estranho ouvir essa expressão “usuário na via”..  É um dos maiores eufemismos já criados! Tão eufemístico que as pessoas se esquecem de que ele pode significar que alguém caiu, se jogou, morreu. Tão eufemístico que não impede as pessoas de pensar e dizer “poxa, mas tinha que se jogar logo agora???”. A pressa insensibiliza o ser humano.

Fiquei, sei lá, uns 15 minutos nessa, esperando o trem voltar ao normal. Achei engraçado ficar indiferente à situação, ouvindo música esperando desocuparem a linha. Cheguei a pensar, de raspão, em como seria presenciar a via invadida por um usuário. Será que a gente esqueceria a pressa? Choraria? Entraria em choque? Olharia pro lado com uma cara enfadonha e repetiria “poxa, mas tinha que se jogar logo agora”?

Tudo voltou ao normal: o trem acendeu suas luzes, as pessoas se acotovelaram para entrar, todo mundo se esmagou e o trem foi andando de vagar (“com velocidade reduzida”) em direção à estação Sé. Cheguei. Logo estou em casa. Logo veio o trem da linha azul. Nem reparei nas luzes se aproximando. Só ouvi o estrondo. Pronto, explodiu alguma coisa no trem… Um dia, vi um vagão soltando um monte de fumaça. Gritaria. Os olhares procuram os trilhos.

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Invisíveis 02/10/2009

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 3:05 AM
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São Paulo está cheia de invisíveis. É o Gari, o Cobrador de ônibus, o Porteiro do prédio, até o Vizinho no elevador. Nossa, vários… Já fizeram até pesquisa científica na USP sobre o assunto. Mas há um tipo de invisibilidade que me incomoda particularmente.

Eu não a cumprimento nem troco um olhar com ela. Nunca dá. Ela está sempre com os olhos voltados para baixo, para o chão, compenetrada em seu serviço. Vejo-as todos os dias. Às vezes, vejo-os. Estão sempre lá, empunhando uma vassoura com aquelas “cerdas” meio plásticas, de cores fluorescentes. Varre-varre-varre.

Não posso deixar de reparar no pessoal que varre o chão das estações de Metrô. Convivo com eles todo o santo dia, na ida e na volta. Queria um dia parar um deles, segurar sua vassoura por um curto instante e dar um sorriso, agradecer por tornar o Metrô o lugar mais limpo de São Paulo. Se tem alguém que deveria ser homenageado naqueles anúncios do governo paulistano são esses funcionários. Não só pelo serviço que prestam, mas também pela “paciência de jó”.

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