Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

De outro ângulo 23/03/2013

Filed under: Comportamento,Cotidiano,Divã — Aline Moraes @ 8:25 PM
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O próprio

O próprio

“Yo conozco y llego a ser yo mismo sólo al manifestarme para el otro, a través del otro y con la ayuda del otro.
Los actos más importantes que constituyen la autoconciencia se determinan por la relación a la otra conciencia.
Ser significa ser para otro y a través del otro ser para si mismo.” 

Conhecemo-nos através do outro. Nos constituímos do outro. Bakhtin tem toda a razão!
Relacionamentos são lindos e intensos por causa disso. Porque não saímos incólumes deles. Eles ficam na gente. Somos a soma daquilo que já éramos e daquilo que queremos para nós – e que buscamos aprender e adquirir com o Outro. O Outro fica na gente. Isso dá medo às vezes. Quando perdemos a presença do Outro, parece que essa parte da gente não faz mais sentido. Mas faz! É nossa, e só nossa. Foi a gente quem fez: pegou daqui, dali, acrescentou, tirou – e voilà!

Não tenha medo daquele novo gosto adquirido, das músicas que você adotou, dos lugares favoritos que merecem ser revisitados… de tudo aquilo que foi bom e verdadeiro demais para entrar no espólio da relação. Aceite: é seu! Entenda que reviver é impossível, a vida é um devir, mas se abra para a boa notícia de que, como me disse uma amiga hoje, a mesma paisagem pode ser fotografada de outro ângulo. E enquadrar outros rostos. E abraçar novas emoções, novos sonhos, novas possibilidades. O que é seu, é seu. Não renegue. Novos Outros virão.

 

Do que são feitas as pessoas? 13/05/2010

“Todas essas buscas, todos esses mundos… Podemos ser tão semelhantes e viver em universos tão distantes? É possível que partilhemos o mesmo frenesi, nós que não somos do mesmo solo nem do mesmo sangue e da mesma ambição?”

Hoje, depois de ler esse trecho do livro A Elegância do Ouriço, relembrei momentos dos últimos dias e me peguei pensando: sim, do que são feitas as pessoas? O que verdadeiramente nos une e o que criamos para nos separar?

Estou participando de um grupo de leitura e discussão do livro Um mês para viver. São umas 10 pessoas que leem um capítulo por dia e depois refletem juntas sobre o que aquelas palavras querem dizer e como elas podem nos transformar. São pessoas tão diferentes. A maioria religiosa. Eu ainda cheia de dúvidas. Alguns moram juntos. Outros nunca se viram na vida. A maioria é estrangeiro – alguns saíram de sua cidade para estudar em São Paulo, outros deixaram o México para fazer intercâmbio no Brasil. E eu estou de partida para ser estrangeira também.

Todos tão diferentes e reunidos ali, juntos, para refletir sobre a vida, destilar as angústias e compreender por que estamos aqui e como aproveitar melhor o nosso tempo. Cada um com sua busca. E vou percebendo que, mesmo com esforço, é difícil apr0ximar universos quando somos tão egoístas por natureza. Porque é realmente custoso e doloroso se reconhecer naquilo que não reflete nossa imagem. Mas acho que, quando conseguimos, e aí que partilhamos do mesmo frenesi sobre a vida.

“É preciso que alguma coisa acabe, é preciso que alguma coisa comece”. Que acabe o medo e que comece a confiança. Talvez assim a gente consiga responder a essas perguntas e encontrar a plenitude de ser o que somos e de deixarmos ser.

 

Drops de Leminski 06/03/2010

Filed under: Cultura,Frases que viram posts — Aline Moraes @ 9:01 PM
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Recuperei os poemas do Paulo Leminski que mais curti do livro Caprichos & Relaxos.
Ele faz parte da coleção Cantadas Literárias.

Vou publicá-los aos poucos aqui. Saboreie! =)

Contranarciso

em mim

eu vejo o outro

e outro

e outro

enfim dezenas

trens passando

vagões cheios de gente

centenas

o outro

que há em mim

é você

você

e você

assim como

eu estou em você

eu estou nele

em nós

e só quando

estamos em nós

estamos em paz

mesmo que estejamos sós