Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Brisa de escolhas 21/05/2010

Filed under: Divã,Viagens — Aline Moraes @ 9:38 PM
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O céu tem o poder de me fazer sair do meu próprio corpo. Quando paro, de fato, para olhá-lo e tentar encontrar as Três Marias, depois o Cruzeiro do Sul e, então, admirar indefinidamente cada ponto brilhante, eu consigo me desligar do mundo.

Estive na Bahia de Todos os Santos (ainda que eu não acredite em nenhum) nessa semana. A trabalho. Nem por isso ruim. Ao contrário. Foi uma experiência incrível. Descobri e entendi muitas coisas nesses três dias de viagem. Não fui à praia. Não tomei Sol. Não passei a tarde em Itapuã. Como disse, estava a trabalho, para conhecer um projeto no semi-árido baiano. Estar longe da praia era necessário. Mas não desisti de tentar ao menos ver o mar, senti-lo nem que de longe.

No último dia da viagem, chegamos bem tarde à Salvador. Com tempo só de lavar o pé e o rosto para jantar e, então, dormir para acordar às 5h30 e partir para São Paulo. Jantamos calmamente, apesar do tempo apertado, num delicioso restaurante japonês. Voltamos ao hotel já passava da meia-noite. Dava para ouvir o barulho do mar quebrando ali pertinho. O hotel era “pé na areia”. E tinha aquelas piscinas cuja água parece se confundir com a prima salgada do mar. Não resisti.

Fui ao deck e me deparei com aquele marzão todo… poucas luzes… ondas quebrando forte nas pedras… estrelas entremeadas por algumas nuvens… aviões rasgando o céu noturno (deviam levar jornalistas como eu, e turistas, e gringos, e executivos e parentes distantes). Só sei que me deitei à 1h30 da manhã. Por mim, teria dormido ali mesmo.

Naquele momento, de madrugada, consegui sair de mim, como não acontecia há muito tempo. Deixei a brisa do mar, fresquinha, bater nos meus braços abertos. Contemplei por um tempo aquele infinito azul marinho, ergui meu rosto até as estrelas, sorri e agarrei a imagem com meus olhos fechados. Fiquei assim por um bom tempo. Braços abertos, olhos fechados. Agradeci. Agradeci a Deus por tanta beleza, por tanta simplicidade. Agradeci por estar ali, por estar viva, por estar disposta. Agradeci pelo dia de trabalho tão cheio de coisas para aprender. Agradeci.

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Mar brilhante (ou as Noctilucas) 03/05/2010

Filed under: Ciência,Divã — Aline Moraes @ 6:19 PM
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Na escola, me encantei por um bichinho com nome estranho, chamado Noctiluca. Abre Parênteses: sempre fui um ás em Biologia. Até hoje me pergunto como o gosto por essa ciência não conseguiu suplantar a escolha pelo jornalismo… Fecha Parênteses. É um tipo de plâncton (minúsculo, portanto) que tem a capacidade de “brilhar” quando alguma coisa o incomoda: o fenômeno da bioluminescência.

Apesar de gostar tanto da “Luca”, nunca tentei ver o mar brilhar à noite nas minhas idas à praia. Nesses últimos dias, percebi que uma das coisas que preciso fazer antes de morrer é rever as noctilucas, mas não mais nos livros de Biologia.

Primeiro, vi um post num blog sobre o fenômeno. E agora, uma amiga minha me enviou uma música do uruguaio Jorge Drexler que leva o meu plâncton favorito no nome. Quanta coisa esses dois “reencontros” não me fizeram relembrar e pensar…. Principalmente nas coisas que gostaríamos de viver, mas nunca demos chance. E o pior é que nada nos impede, só nós mesmos e as nossas próprias barreiras (preguiça, tempo, compromissos, dinheiro, falsas prioridades…).

Fica aqui um convite: vamos ver o mar brilhar! Logo! Por que não?

La noche estaba cerrada.
Y las heridas abiertas.
Y yo (…) buscaba sin encontrarme,
En una playa desierta.

Tenía la edad aquella en que la certeza caduca,
Y de pronto al mirar el mar vi que el mar brillaba con un brillar de noctilucas.

Brilla noctiluca,
Un punto en el mar oscuro,
Dónde la luz se acurruca.

* * *