Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

Uma casa feita de boas ideias 09/05/2013

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 12:57 AM
Tags: , , , ,

Quando eu voltei da Inglaterra, consegui um emprego de frila fixo na Editora Abril. Foi no site Casa.com, do núcleo de Decoração da editora, que produz também as conhecidas revistas Casa Claudia, Arquitetura & Construção e Minha Casa. Duvido que alguém que prestou jornalismo no vestibular sonhe em ser um repórter de decoração. Mas os tipos mais inesperados de trabalhos surgem pelo nosso caminho e a gente aprende a reconhecer o valor de cada um deles.

Esta sala aqui inspirou a minha: parede cinza-claro pra destacar o rack branco, poltrona no canto e as ideias de ter uma luminária de chão e uma mesinha feita com bobina de madeira! Está em http://goo.gl/gdrmt

Esta sala aqui inspirou a minha: parede cinza-claro pra destacar o rack branco, poltrona no canto e as ideias de ter uma luminária de chão e uma mesinha feita com bobina de madeira! Está em http://goo.gl/gdrmt

Eu aprendi a gostar de decoração. Aprendi que não é, necessariamente, fútil ou caro. E criei a minha definição: decorar é uma questão de gerenciar bem os recursos e ideias para criar espaços mais gostosos de habitar, apesar da vida corrida, do cotidiano caótico. Decorar é dar vida à casa. Decorar é analisar quem você é e colocar um pouco de si mesmo em móveis, cores, soluções.

Enquanto eu estava lá na redação do Casa.com, fui reunindo ideias e inflando a vontade de ter meu cantinho. A hora chegou e eu me vejo lendo e relendo as revistas classe C (que são, de fato, realistas…rs), recortando as matérias, fazendo planos. E ainda envolvo a família! Meu pai, que é metalúrgico de formação e metido a faz-tudo, agora é também realizador desses planos 😉 Vamos à história!

O guarda-roupa que ficava na casa dos meus pais foi desmontado e montado lá em casa. Só não contava com o fato de que o pé-direito do meu apartamento é mais alto. Por isso, sobrou o maior espação até o teto. Isso seria algo positivo se eu e o marceneiro tivéssemos pensado em aproveitar esse espaço antes de montar o móvel. Eu queria uma sapateira a mais – como dar conta dos sapatos e de tantas outras coisas numa casa menor? – e daria certinho ali. Daria. Foi só mais uma das várias coisas que deram errado na reforma (faz parte…). Mas o bacana da decoração é que, com a ajuda dela, há solução pra tudo!

Eu encontrei a minha na edição de Janeiro/12 da revista Minha Casa. A matéria era sobre um apartamento alugado com cara de reformado (e ficou mesmo!). Lá, também era um problema o espaço para os calçados. E foi resolvido com um simples deque de madeira adaptado com rodinhas, para ficar embaixo da cama. Genial! Recortei a foto da sapateira e mostrei pro Papis (quer ver a matéria também? Em: http://goo.gl/4Qp85) Como a minha cama é box de casal, e com pés altos, deu pra projetar dois deques de 70 cm x 80 cm.

Munido de ripas de madeira e sua maleta de ferramentas, meu pai montou, ele mesmo, os deques e envernizou. Fica bem mais em conta do que comprar a peça pronta e só colocar as rodinhas. Para se ter uma ideia, a revista indicava R$58 pelo deque de madeira pinus medindo 70 x 70 cm, mais R$1,95 por cada rodízio. O Seu Frank gastou R$67 para fazer as duas peças! Metade do preço!!!

Os tempos de sapatos amontoados e pouco arejados vão acabar! E graças ao poder da decoração. E ao meu pai, claro! 😀

* * *

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Brindando à casa nova com… “Deus” 07/04/2013

Filed under: Cervejas,Cotidiano — Aline Moraes @ 1:20 AM
Tags: , , , , , , ,

Sábado, 6 de Abril de 2013, vai ser para sempre uma data memorável. O dia em que comecei a mudança pro meu próprio cafofo! Já estou nesse processo há meses, desde que fechei o financiamento com a CAIXA, desde que peguei as chaves do apê, desde que o pedreiro começou a reforma… Mas hoje… hoje a casinha começou, de fato, a deixar de ter cara de joelho de alvernaria. Dei banho, cortei o cabelo, troquei de roupa… Tá virando gente! A satisfação não tem tamanho! Mas tem sabor… Dela, da cerveja mais esperada desdo o curso de degustação. A mais falada. A mais cara. E que não podia ter nome melhor, diante de tanta adoração e especulação: Deus. Sim, chama-se Deus. Maiúsculo mesmo. Sem medo nenhum de não ir pro céu por isso.

Deus é uma belga refermentada na garrafa. Por isso, é mega espumante! Quando fomos abri-la, a rolha voou como na hora de estourar uma champagne. No copo, as leveduras ficam em polvorosa, trabalhando feito loucas, soltando um monte de gás. Se você piscar um pouco mais demoradamente, a espuma já terá se derramado sobre a mesa. E o resultado é rápido: 11,5% de álcool na cabeça. As risadas vieram rapidinho hehe. “Sempre em nome da ciência, sempre em troca da vivência“. Amém! Era dia de comemoração, estamos perdoados 😉

* * *

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

A saga do entulho – e outras estórias 14/02/2013

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 11:32 PM
Tags: , , , , , ,

Meu mais recente sonho tem sala, quarto, cozinha, banheiro e lavanderia. Tem número, tem endereço. E tem entulhos amontoados. Tinha. Hoje foi o dia de me livrar daquilo que aquele lugar era, e dar espaço para o que ele vai ser. Opa, já é. Meu apê!

Antônio, o pedreiro das celebridades! ;)

Antônio, o pedreiro das celebridades! 😉

trabalhei num site de decoração, mas nunca me preparei de verdade para encarar uma reforma, ainda que pequena. Se não fosse a ajuda da minha Mamis, que adora botar uma parede abaixo, acho que cada etapa teria dado errado. Como deu a de hoje.

A singela obra lá de casa rendeu 30 sacos de gesso e mais alguns entulhos. Resolvi não contratar uma caçamba (haviam me dito que custava uns R$200tão!). Papis tem um carro utilitário, então resolvi pegar emprestado e levar eu mesma o lixo, em duas viagens, até o Ecoponto da Prefeitura. O mais próximo fica na Luz, bem na boca do que era-é a Cracolândia. Mesmo assim, fui adiante com o plano. Sairia ridiculamente mais barato. Pois bem. Sairia. Se o entulho tivesse saído da caçamba do carro.

Chegando ao Ecoponto, onde consta uma placa dizendo que aceitam “Entulhos de construção”, a moça vestida com um uniforme verde me disse que “Gesso a gente não aceita”. Aparentemente, o aterro (ou wherever) não aceita o material porque ele não é reciclável. Mas isso não consta no site da Prefeitura:

“Ecopontos, que são locais de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho (até 1 m³), grandes objetos (móveis, poda de árvores etc.) e resíduos recicláveis. Nos Ecopontos, o munícipe poderá dispor o material gratuitamente em caçambas distintas para cada tipo de resíduo.”

São 3 tipos de resíduo, certo? Entulho / grandes objetos / recicláveis. Convenço-me de que estou com a razão quando a mesma moça de verde vai conversar com o outro cara de verde que estava enchendo o caminhão da Prefeitura pra ver o que era possível fazer. Claro que ele veio pedir uma “pequena contribuição para reforçar o café”. Fiquei puta! Confesso que, se ele aceitasse pegar meu entulho pelos únicos R$20 que eu tinha, eu teria deixado. Mas, mesmo assim, ficaria fula. Ele pediu R$30 (para dar R$10 para cada um que estava trabalhando no caminhão. Faria diferença para eles? Se fosse fazer mesmo, já que é tão pouco, o episódio me deixa ainda mais triste ao relembrá-lo). Mas, enfim… eu não tinha. De repente, parece que um fiscal “chamou no rádio” e eles não puderam mais “quebrar o galho“. Aham…

Voltei com uma mão no volante, outra no câmbio, a cara emburrada e um carro cheio de entulho, sem saber o que fazer com ele. Me restou levar tudo de volta pro apê e contratar a bendita caçamba. A princípio,  R$280. Consegui baixar para R$250 porque só precisaria dela por um dia, não por três, como costuma ser quando você contrata uma. No fim, tentei economizar, não teve jeito. Gastei e gastei a mais. O bom e velho e odioso conselho: “O barato sai caro”. Ok, beber (ooops, errar), cair e levantar.

Mas esse contratempo, perto do que deu tão certo, nem se sente. Conseguir um pedreiro de confiança que dê conta de todo o serviço e ainda te ajude nessa lambança toda do entulho com um sorriso no rosto, não tem preço! Tá, tive uns contratempos também com a imobiliária contratada pela proprietária, mas já passou. A escritura (ou melhor, a prova da dívida eterna que tenho com a Caixa) está comigo e a reforma tá quase acabando. Logo logo, aquele cafofo terá minha bagunça e meu cheiro. Meus enfeites e minhas músicas. Meus textos e minhas confissões. Meus amigos e meus amores. Meus sonhos. Muitos deles, muitos mais!

* * *

Este slideshow necessita de JavaScript.