Minhas Folhas de Relva

percepções do cotidiano em letras livres

O Pipoqueiro 30/04/2010

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 7:33 PM
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“Será que vender pipoca dá dinheiro???” era o que eu vivia me perguntando… Aonde quer que se vá, lá está um pipoqueiro, com o carrinho metade branco, metade vermelho.

Certa vez, quando fui ao Espaço Unibanco na Augusta assistir a um estreia, vi um senhor de uns 60 ou 70 anos vendendo na porta. Uma cara de zangado… Não devia estar vendendo muito apesar da fila. Eu fiquei só observando, torcendo para alguém comprar. Tive vontade de conversar com ele, mas seu semblante não era nada convidativo. Deixei pra lá a vontade, mas a pulga continuou atrás da orelha (clichezão, mas tá valendo).

Semana passada, cheguei ao terminal de ônibus Santana e chovia. Meu ônibus ainda não estava para sair, eu estava com fome e tinha exatos R$1,80. Avistei o pipoqueiro. Ele aceitou fazer por menos 20 centavos. Como ele foi simpático, resolvi finalmente puxar papo com alguém da classe.

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Herança

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 5:02 PM
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Apaixonei-me por uma criança hoje. Isso mesmo. Foi coisa rápida. No tempo entre algumas estações de metrô.

Eu não sou fã de crianças. Já fui. Até os 15 anos eu poderia ter sido babá. Afinal, em festinhas e em finais de semana no sítio, eu brincava e cuidava dos filhos dos outros de graça e bom grado. Mas, de repente, um dia, cansei. Perdi a paciência e nunca mais a encontrei. No máximo por cinco minutos. Daí em diante eu me recordo de que não sei onde a paciência está e devolvo a criança para os pais. Alguns dizem que eu sou má (rs) e que nunca terei filhos. Outros, que eu estou reservando energia e “saco” para os meus… Sei lá.

Só sei que, hoje, foi bonito ver aquele menino moreninho, de uns 5 anos, óculos de grau, cabelinho raspado e roupa de frio meio engomadinha.  Ele estava tão empolgado com alguma coisa (eu não consegui ouvir o que era), mexia as mãos, os braços, sentava de um lado, apontava para o outro. Devia estar contando alguma aventura da escola, ou imaginando outras.

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Burocracia para crianças 23/04/2010

Filed under: Comportamento,Cotidiano — Aline Moraes @ 9:51 PM
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O homem de uns 40 e poucos anos entrou na fila indignado. “Como assim tem que fazer carteirinha para entrar na Biblioteca?!!!” Ele só queria dar um passeio com sua filhinha de 4 anos em meio a pufs coloridos, computadores e um monte de livros. Sua indignação ficou pior quando minha mãe perguntou se ele havia trazido comprovante de residência. “Precisa, é??? Não acredito numa coisa dessas…”

No feriado de Tiradentes, o Parque da Juventude (onde ficava o Carandiru) estava lotado. E a Biblioteca de São Paulo virou atração turística. Um bocado de gente querendo entrar para ver esse espaço de primeiro mundo construído em plena terceira divisão! O prédio retangular e comprido, com vidros estilisados na fachada e uma decoração colorida, chama a atenção de quem nunca viu uma biblioteca desse jeito na vida. Com cara de livraria, mas onde tudo é de graça. É nosso.

Além do pai meio careca com sua filha de 4 aninhos, estava eu e minha mãe, um casal de jovens namoradas, uma moça de chinelas gastas carregando um bebê no colo e sua filha ao lado, um grupo de “japas” idosos, mais duas amigas descoladas. E mais algumas pessoas que não lembro como descrevê-las. A fila não era muito grande, mas não andava nunca. Algumas pessoas até desistiram no meio do caminho…

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“Passeio de índio” – A Biblioteca de São paulo 22/04/2010

São Paulo guarda gratas surpresas. Na verdade, nem deviam ser tão surpreendentes assim. Parece que a gente se acostuma a não prestar muita atenção em obras públicas. Se são obras de caráter cultural então… Parece que nunca vale a pena. Ok. Falo por mim. Nunca botei muita fé nos projetos que o governo estadual estava implementando no Parque da Juventude, onde antes ficava o Complexo Penitenciário do Carandiru, na Zona Norte de Sampa.

Recentemente, descobri que eles criaram um curso técnico em música e artes cênicas, para quem ainda faz o colegial, lá no Parque. Não chequei as dependências do lugar porque a recepcionista me barrou (não me lembro por que razão, mas não tinha razão, pelo que eu me lembre…). Mas gostei do que vi do lado de fora: num pequeno tablado de madeira, três jovens maquiados e com roupas coloridas tocavam violão e ensaiavam alguns movimentos com o corpo. “Bom, alguém deve fazer esse curso. Menos mal”, pensei.

Há algum tempo, a imprensa noticiou uma biblioteca de “padrão internacional” que havia sido inaugurada também nas dependências do Parque da Juventude. Nem dei muita bola a princípio. Mas, depois que vi que no bairro onde eu devo morar em Londres tem uma biblioteca pública que parece uma livraria, pensei que, de fato, a Biblioteca de São Paulo podia ser uma realidade muito bem vinda para os paulistanos.

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Ponto de luz 14/04/2010

Filed under: Cotidiano,Textos meus — Aline Moraes @ 10:39 PM
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De repente, vi a lua

crescendo no canto da rua

Que nada!

Era só o poste de luz

que se acendeu

coisa de paulistano

feito eu…

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Invisíveis 02/10/2009

Filed under: Cotidiano — Aline Moraes @ 3:05 AM
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São Paulo está cheia de invisíveis. É o Gari, o Cobrador de ônibus, o Porteiro do prédio, até o Vizinho no elevador. Nossa, vários… Já fizeram até pesquisa científica na USP sobre o assunto. Mas há um tipo de invisibilidade que me incomoda particularmente.

Eu não a cumprimento nem troco um olhar com ela. Nunca dá. Ela está sempre com os olhos voltados para baixo, para o chão, compenetrada em seu serviço. Vejo-as todos os dias. Às vezes, vejo-os. Estão sempre lá, empunhando uma vassoura com aquelas “cerdas” meio plásticas, de cores fluorescentes. Varre-varre-varre.

Não posso deixar de reparar no pessoal que varre o chão das estações de Metrô. Convivo com eles todo o santo dia, na ida e na volta. Queria um dia parar um deles, segurar sua vassoura por um curto instante e dar um sorriso, agradecer por tornar o Metrô o lugar mais limpo de São Paulo. Se tem alguém que deveria ser homenageado naqueles anúncios do governo paulistano são esses funcionários. Não só pelo serviço que prestam, mas também pela “paciência de jó”.

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